quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

DISCURSO DO GENERAL EDUARDO VILLAS BÔAS, COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO


Caros Companheiros,

Raramente temos a oportunidade de nos defrontar com uma exposição sobre a realidade brasileira tão objetiva, lúcida e esclarecedora como a do Comandante do EXÉRCITO BRASILEIRO, Ilustre General EDUARDO VILLAS BÔAS,                                            



que foi reproduzida na Rede “bbfuncionários – Resumo 4754”, item 1, em 05.02.2018, pelo Mestre e Companheiro FERNANDO ARTHUR TOLLENDAL PACHECO, sob o título “NO BRASIL, TODOS OS PROBLEMAS TENDEM A SE TRANSFORMAR EM IDEOLOGIAS.”
É com muita satisfação que reproduzo adiante essa valiosa matéria, da forma como foi formatada pelo colega FERNANDO TOLLENDAL,
                                  

para conhecimento e enriquecimento dos internautas que acessam este blog.

Bom Proveito !!

ADAÍ ROSEMBAK

Associado da AAFBB, ANABB e ANAPLAB


NO BRASIL , TODOS OS PROBLEMAS TENDEM A SE TRANSFORMAR EM IDEOLOGIAS. 

 PAÍS DIVIDIDO,    DIZ GENERAL

28 de janeiro de 2018.

A Editora Insight, do Rio de Janeiro, que não dá trégua ao convencional, promoveu o seminário “BRASIL: Imperativo Renascer!”, no Tribunal de Justiça do RIO DE JANEIRO.
Levou lá, além do presidente do tribunal, MILTON FERNANDES DE SOUZA, o presidente do BNDES, o titular da Fundação Getulio Vargas, o Embaixador JÓRIO DAUSTER, o sociólogo WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS.
O General EDUARDO VILLAS BÔAS participou do seminário no TJ-RJ.

A sensação do evento foi o General EDUARDO VILLAS BÔAS. De sua cadeira de rodas, tolhido pelos efeitos de uma lamentável moléstia degenerativa, o Comandante do EXÉRCITO BRASILEIRO, de
“IMPROVISO”, (e é importante que se frise o “IMPROVISO”), analisou com destreza e franqueza o momento nacional.
O general partiu da análise do que seja o papel das FORÇAS ARMADAS na atualidade.
Mas foi bem além disso.

VILLAS BÔAS  examinou como transitam hoje as ideologias.
Todo problema no país hoje tende a tornar-se uma ideologia, disse ele.
Sem que se chegue à solução teoricamente desejada. Assim, “quanto mais ambientalismo, mais problemas ambientais temos.
Quanto mais indigenismo, coitados dos nossos índios, mais são relegados ao abandono.
Quanto mais luta contra o preconceito racial, mais racialismo. (...)
Quanto mais luta ou quanto mais se discute as questões de gênero, mais preconceito nessa área se verifica e por incrível que pareça, até mesmo, está surgindo no nosso país intolerância religiosa”.

O general saltitou em terreno minado, sem detonar bomba alguma, ao abordar como funciona o imperialismo moderno que galvaniza estereótipos como a campanha mundial contra o desmatamento no BRASIL, incorporada aqui inclusive pela esquerda.

“Temos 80% da AMAZÔNIA preservada e admitimos levar lições de países que
têm 0,3% das suas florestas originais.
A média mundial de preservação das florestas mundiais é de 25%, aproximadamente”, registrou, apontando a instrumentalização da ideologia ambiental que, como se sabe, visa proteger o mercado agrícola dos países que, todos somados, não dispõem da área agricultável que o BRASIL tem.

*Leia os principais trechos da palestra do General de EXÉRCITO EDUARDO VILLAS BÔAS:*

Quando houve a queda do muro de BERLIM, emblematicamente, marco do fim da Guerra Fria, passou a prevalecer nos países uma visão sistêmica de defesa em que ela deixou de ser uma exclusividade dos militares e passou a exigir a participação de toda a sociedade em seus mais variados segmentos.
Assim, a estrutura de defesa de um país será tão mais robusta quanto mais forte for a participação da área econômica das empresas, da área de ciência e tecnologia, da área acadêmica, do poder político e assim por diante.

Por outro lado, aos militares foi exigido também que eles não se restringissem apenas a se preparar para fazer face ao inimigo.

Hoje, a visão consagrada no mundo é a de que as FORÇAS ARMADAS devem estar em condições de atender a qualquer demanda da sociedade.
E não há países em que isso não se aplique.

Alguém pode dizer, ah!, nos ESTADOS UNIDOS as FORÇAS ARMADAS compram esse tipo de atividade, porque lá eles têm a Guarda Nacional, que é praticamente força armada, inclusive as suas unidades são mandadas a participar dos conflitos e elas cumprem esse papel de trabalhar voltadas para o território americano.

Falar de defesa no BRASIL — e eu pretendo, em linhas gerais, traçar algumas considerações sobre a inserção da defesa de um projeto nacional — é difícil, tem pouco apelo, porque não há no país uma percepção de ameaças à soberania e à integridade, nem por partes da população nem por parte das elites dirigentes, diferente, por exemplo, do que ocorre em ISRAEL, ou do que o que ocorre no CHILE e em tantos outros países.
Portanto, um diretor de banco, um reitor de uma universidade, enfim, pessoas dos mais variados setores da sociedade não estão preocupadas com ameaça da integridade nacional.

O ministro JOBIM, NELSON JOBIM, ele dizia que fazia parte de uma geração política em que defesa para eles era repressão e as coisas relativas a isso.

Como consequência, esse espaço da defesa foi ocupado inexoravelmente pelos próprios militares e a consequência é que, a consequência foi a grande dificuldade de alocação de recursos adequados para estrutura de defesa.
Como se diz no jargão político, defesa não dá voto.
Daí a dificuldade, nós nunca vimos, por exemplo, em um debate eleitoral para a Presidência da República, o tema “defesa” ser discutido, aliás não só o
tema defesa, outros temas relativos ao Estado, como a política externa, não é embaixador (dirigindo-se ao companheiro de mesa, Embaixador JÓRIO DAUSTER)?

Na última eleição, esses dois temas não foram absolutamente tocados e isso se deve enfim, dentre outros aspectos, nós temos no BRASIL, o que poderemos chamar de um passivo geo-histórico.
Nós temos metade do nosso território não ocupado e não integrado à dinâmica do desenvolvimento nacional.
As consequências disso vão além de aspectos concretos, há questões também subjetivas decorrentes, se o território é a base da nacionalidade.
Vejam que nós não temos na nossa, o sentimento de nação totalmente consolidado.
O BRASIL foi resultado da criação de um Estado que a partir daí passou a trabalhar para consolidar os aspectos relativos à nacionalidade e isso ainda é incompleto.

O General HELENO costuma dizer que o BRASIL é como um superdotado num corpo de adolescente.
Ele não tem noção do seu território, não tem a percepção da importância e talvez daí decorra o fato de sermos tão voltados para dentro de nós mesmos.
Uma das consequências disso é a nossa dificuldade de assumir uma responsabilidade inexorável que é exercer a liderança na AMÉRICA DO SUL.
Para exercer a liderança, é necessário primeiro demonstrar capacidade.
Segundo, demostrar vontade; e terceiro, ser capaz de inspirar e de mostrar um caminho para o futuro.

É muito impressionante quando vemos um militar argentino reclamar de nós, por não assumirmos a liderança na AMÉRICA DO SUL.
E esse sentimento, as relações militares, com muita frequência expresso, porque os países sul-americanos sabem que a alternativa que eles têm é de se agregar a um grande projeto de desenvolvimento do BRASIL, caso contrário serão, estaremos sempre periféricos e não há absolvição para isso.
Nós somos o único grande país não beligerante, poderemos tirar talvez a AUSTRÁLIA, mas todos os demais grandes países são beligerantes.
Então, o lado ruim de uma coisa boa, e importante: nos falta esse sentimento de um projeto nacional.
E quando vejo essas discussões, em relação à crise que nós vivemos e a busca de caminhos, a minha impressão é que elas são superficiais.
Carecem de profundidade e carecem de uma multidisciplinaridade necessária para a mudança da nossa realidade.
Em relação a um projeto nacional, o país, o BRASIL pela sua dimensão, pelas características que tem, ele não pode prescindir de uma ideologia que lhe dê um caminho, e não estou me referindo a ideologia política.

O BRASIL foi, da década de 1930 à década de 1950, o país do mundo, ou um dos países do mundo que mais cresceu.  
Havia uma ideologia de desenvolvimento, havia um sentido de projeto, havia um ufanismo.
Os mais velhos vão lembrar da década de 1960, vivendo lá o momento Juscelino, Brasília sendo construída, Aterro do Flamengo, Aterro de Copacabana, campeão do mundo de futebol, campeão do mundo de basquete, Maria Esther Bueno no tênis, Eder Jofre no boxe, enfim, havia um ufanismo e um otimismo muito grande.
Éramos o país do futuro.

Cometemos o erro de, durante a Guerra Fria, permitir que a linha de fratura passasse por dentro e dividisse a nossa sociedade.


Foi aí que perdemos o sentido de coesão, perdemos essa ideologia do desenvolvimento, sentido de projeto, ficamos um país à deriva.

Extremamente perigoso, como disse, pela nossa dimensão, pela nossa estrutura, porque as forças centrífugas estão se fortalecendo e corremos o risco de uma fragmentação, se não uma  fragmentação territorial, mas já está a caminho uma fragmentação social.

Nesse período, permitimos incorporar ideologias.
Aliás, dizem que, quando as ideologias ficam velhas, elas se mudam para a AMÉRICA DO SUL.

E incorporamos tanto ideologias políticas como ideologias sociais que estão nos desfigurando como nação e alterando a nossa identidade.

E há uma tendência no nosso país de todos os problemas serem transformados em ideologias. Quando isso acontece, se perde a visão de resultado e o foco fica sendo na aplicação da ideologia e não no que se pretende buscar como solução.
Isso gera um mais do mesmo.
Vejam que quanto mais ambientalismo mais problemas ambientais temos.
Quanto mais indigenismo, coitados dos nossos índios, mais são relegados ao abandono.
Quanto mais luta contra o preconceito racial, mais racialismo.

O ministro ALDO REBELO diz que nós éramos um país de mestiços e estamos nos transformando em país de brancos e pretos.
Quanto mais luta ou quanto mais se discute as questões de gênero, mais preconceito nessa área se verifica e, por incrível que pareça, até mesmo, está surgindo no nosso país intolerância religiosa.

O que me parece, contudo, é que por trás disso tudo está a nossa falta de disciplina social e a falta de limites que vem desde as carências da nossa educação.

Então, essa essência é a causa principal de tudo que tem acontecido. Nós perdemos até mesmo, os juristas aqui sabem, conhecem muito melhor do que eu o ínsito da presunção da autoridade, da autoridade presumida.

Nós perdemos até mesmo isso, é autoridade que automaticamente está investindo numa professora quando entra numa sala de aula, é uma autoridade necessária fazer com que aquele universo funcione adequadamente.
Autoridades que você reconhece mais como um guarda de trânsito, ou se não, não se reconhece a um motorista de um ônibus, de um coletivo, enfim, então essa falta de limites mostra estar fazendo com que a nossa sociedade vá se desagregando paulatinamente e eu acho muito impressionante a passividade com que assimilamos essas ideologias.

Do ponto de vista político, o frei LEONARDO BOFF deu uma explicação.
Muito simples e claro, ele disse que combater o capitalismo com base na luta de classe traz em si um problema, uma desvantagem porque coloca as classes em oposição, mas combater o capitalismo com base nessas ideologias, principalmente no ambientalismo, faz com que todas as classes se coloquem do mesmo lado e entrem em consonância.

Mas a inteligência brasileira não tem percebido é que, depois do processo de descolonização — em que os países não têm mais liberdade de ação de exercer seu imperialismo por meio das FORÇAS ARMADAS no setor — o fazem por meio dessas ideologias, instrumentalizadas pelos organismos internacionais, por organizações não governamentais e assim eu acho curioso que a parcela mais à esquerda do nosso espectro político incorporou totalmente esse novo imperialismo.

Imperialismo do final do século XX, do início do século XXI e nós somos de uma passividade incrível, porque temos 80% da Amazônia preservada e admitimos levar lições de países que têm 0,3% das suas florestas originais.
A média mundial de preservação das florestas mundiais é de 25%, aproximadamente.

Então, o BRASIL não pode, não precisa e não deve aceitar lições de quem quer que seja, como aquele episódio em que a primeira ministra da NORUEGA cobrou do nosso presidente, em razão de a NORUEGA ter doado R$ 1 bilhão
para a preservação da AMAZÔNIA.

Vou contar um episódio pitoresco, eu era comandante militar da AMAZÔNIA e indo realizar uma grande operação de fronteira,  antes eu determinei que se realizasse uma operação de inteligência.
Me liga muito afobado um comandante do Batalhão de Selva de BARCELOS dizendo que estava na aldeia ianomâmi DEMINI e lá encontrou o rei da NORUEGA. Eu falei, 'ô, coronel,você está com algum problema' — ainda brinquei com ele — 'o senhor fumou tóxico vencido, por que é que o rei da NORUEGA está na aldeia DEMINI, área ianomâmi?'. 'General, o rei da NORUEGA está aqui'.

Eu fui ao ministro, que na época era o ministro CELSO AMORIM, ministro da Defesa, ele questionou o Itamaraty.
Realmente, a visita era decorrente de um acordo sigiloso, o Ministério da Justiça,  Funai,  Itamaraty,   e   o  rei  da
NORUEGA estava na área Ianomâmi. Então a nossa paciência...

Quando estava em votação pelo STF a demarcação da RAPOSA TERRA DO SOL  lá em RORAIMA, o príncipe CHARLES veio à AMAZÔNIA, veio ao BRASIL, não é?

Então, esse assunto, enfim, é um tema que se pode discorrer muito, mas estou apenas usando para exemplificar a nossa passividade. Isso fez com que
permitíssemos um déficit de soberania em relação ao nosso território.
Vejo que agora o governo quis regulamentar a exploração daquela reserva extrativista lá no PARÁ e foi, isso gerou imediatamente uma campanha internacional.
Então, hoje o BRASIL não tem liberdade de ação para uso dos seus recursos naturais.
E a AMAZÔNIA ela tem a princípio três papéis a cumprir para o BRASIL.

O primeiro decorre dos recursos naturais que ela tem, o levantamento mais abrangente que eu vi até hoje fala em 23 TRILHÕES de dólares.

O segundo diz respeito ao que, do ponto de vista geopolítico, a AMAZÔNIA, a PAN-AMAZÔNIA abrange nove países e ela, e todas as AMAZÔNIAS, elas são extremamente semelhantes tanto do que diz respeito ao potencial, quanto no se refere aos problemas que ela apresenta.
E ela, para o BRASIL, é uma enorme oportunidade de promovermos a integração e assumirmos a liderança da AMÉRICA DO SUL.

E terceiro é o grande apelo internacional que a AMAZÔNIA apresenta, água, energia renovável, produção de alimentos, mudança climática, biodiversidade, enfim, e por isso ela tem um apelo tão grande perante a opinião pública INTERNACIONAL e, de certa forma, a AMAZÔNIA em relação ao BRASIL é vista mais ou menos como o TIBET em relação a ÍNDIA, então é uma tarefa urgente que BRASIL tem que realizar, porque até hoje nós não temos uma política para AMAZÔNIA, não temos um órgão de qualquer natureza, um ministério, uma agência reguladora, seja lá o que for para coordenar as ações na AMAZÔNIA e o que se faz na AMAZÔNIA é muito mais baseado, tem muito mais o caráter repressivo do que apoio a sociedade e promoção do desenvolvimento com proteção ambiental.
Qualquer ação da AMAZÔNIA como diz, tem que ser multidisciplinar, ela tem que conter vetores sociais, ambientais, de conhecimento, de ciência e tecnologia, econômicos e logicamente de defesa e de segurança, então são os papéis que a AMAZÔNIA tem para desempenhar.

Dado esse quadro geral, mais com um caráter geopolítico do nosso país, como disse, é difícil tratar de defesa no BRASIL e fazer com que a defesa tenha o reconhecimento merecido, e nós tivemos sempre séries orçamentárias muito baixas e mais grave do que isso ainda, vem da imprevisibilidade dos orçamentos.
Para nós é muito mais importante a regularidade e a previsibilidade do que o montante propriamente dito, que nós possamos receber.
E eventualmente se vê discussões em função daquele aspecto que eu destaquei, da falta de percepção, da importância da defesa, às vezes até isso atualmente não tem sido comum, mas se discute até mesmo a necessidade de força armada, porque se justifica, como justificar as FORÇAS ARMADAS?

FORÇAS ARMADAS são instituições permanentes, conforme consagra o artigo 142 da Constituição, que diz que as FORÇAS ARMADAS são instituições nacionais permanentes, vem daquele aspecto da construção da nacionalidade e quando se  consolida o sentimento de nação já há ali um embrião da força armada e, quando se adquire independência, a força armada já está presente.
Vejam que esse processo é universal, quase todos os países do mundo têm, como os grandes líderes, pais da pátria, figuras de generais aqui na AMÉRICA DO SUL  é típico, né? Temos aí SAN MARTIN, BERNARDO O'HIGGINS, BOLÍVAR, ARTIGAS e outros.
Nós não temos porque nosso processo de independência é realmente muito peculiar.
Mas é importante então que a defesa seja entendida pelo que podemos chamar de valores, perdão, funções da defesa, isso não é uma condição acadêmica, mas decorre da percepção da realidade.

Numa simplificação, podemos considerar quatro funções, a primeira e a função primordial da defesa é dissuasão, de exercer a capacidade dissuasora.
A dissuasão não é um fim em si mesmo, ela se insere junto com outros fatores como o poder econômico, como a vontade política, como a ação da diplomacia para que se obtenha a liberdade de ação necessária ao país agir de acordo com os seus interesses, exercer a liderança que pretender.

Nós temos o exemplo, um contemporâneo, as  consequências da perda de capacidade de dissuasão foi o que aconteceu com a OTAN em relação à RÚSSIA,
o que fez com que a RÚSSIA tivesse liberdade de ação, para agir e fazer o que fez na UCRÂNIA, por exemplo, e o que está fazendo na SÍRIA.
O resultado é que a OTAN recomendou aos países membros que elevem de 1,5% para 2% dos PIBs, os gastos com defesa. 

E a história é repleta de exemplos de países que viveram situações até extremamente graves, catastróficas em função de perda da capacidade de dissuasão.

Nós temos a capacidade dissuasória assegurada na AMÉRICA DO SUL, mas não ainda internacional, e   precisamos
fazer, daí a importância dos projetos em andamento, como, por exemplo, submarino nuclear da Marinha, os caças, os gripens da FORÇA AÉREA, a força de blindados do EXÉRCITO, a nossa força de mísseis e foguetes, enfim, tão logo consolidemos esses projetos teremos adquirido essa capacidade de dissuasão, que nos permitirá voltarmos com mais liberdade de ação para dentro de nós mesmos e para a AMÉRICA DO SUL.

O segundo aspecto, a segunda função da defesa, e as FORÇAS ARMADAS, aí em especial o EXÉRCITO, pela capilaridade, eles são guardiões da identidade nacional.
Essa, e aí já me referi a esse processo que estamos vivendo, que pode levar a uma perda dessa identidade, nós perdemos a nossa essência e as FORÇAS ARMADAS pelo processo que me referi, da formação da nacionalidade, elas são de certa forma, guardiões desse, até mesmo dos valores nacionais.
Isso tem se refletido, por exemplo, em setores que demandam uma intervenção militar.
A pesquisa indicou que 43% da população brasileira pede uma intervenção militar.
Isso, na minha opinião, é um termômetro da gravidade do problema que estamos vivendo no país.
Uma intervenção militar seria um enorme retrocesso hoje, mas na verdade interpreto também aí como uma identificação da sociedade, os valores que as FORÇAS ARMADAS expressam, manifestam e representam.
E as pesquisas de opinião mostram também que, invariavelmente, as FORÇAS ARMADAS estão em primeiro lugar no índice de credibilidade perante a sociedade.

O terceiro papel da defesa e das FORÇAS ARMADAS é contribuir para o desenvolvimento nacional, fazer parte da indução do desenvolvimento.
Nós temos alguns dados aqui, e a nossa indústria de defesa hoje  movimenta 3,7 % do PIB, ela gera 60 mil empregos diretos e 240 mil empregos indiretos, o movimento é de mais ou menos R$ 200 bilhões por ano, e todos os países desenvolvidos, nenhum país chegou ao primeiro mundo importando produtos de defesa.
E todos eles têm a estrutura de defesa com um forte componente de indução do seu desenvolvimento econômico e também com muita relevância na área de ciência e tecnologia, já que as tecnologias são duais, qualquer tecnologia desenvolvida na área de defesa abrange  outras áreas. Segundo a FIPE (Fundação Estudos de Pesquisas Econômicas), cada real investido em programas de defesa gera um multiplicador de 9,8 em relação ao PIB, então eu vejo que realmente se trata de um grande investimento.

E passando ao último fator, ou a última função da defesa, é a de que as FORÇAS ARMADAS devem hoje atender às demandas da população.

Assim é que, como disse, as FORÇAS ARMADAS hoje não devem se limitar apenas a se preparar para fazer face ao inimigo, ela tem que atender a qualquer necessidade.
Assim é que, por exemplo, hoje, um dia como hoje, o EXÉRCITO está participando de 58 operações de natureza variadas no território. Temos hoje 3.100 militares atuando, operando neste momento.
E aí nós temos operações de apoio a órgãos governamentais, a área ambiental, a área indígena; na área de saúde, os programas de combate a proliferação dos mosquitos, da zika, chikungunya etc.
Temos operações de fronteira permanentemente em realização.
Temos as operações de garantia da lei e da ordem, como está em andamento aqui no RIO DE JANEIRO e a que realizamos recentemente no RIO GRANDE DO NORTE, aliás em um ano e meio fomos empregados três vezes no RIO GRANDE DO NORTE, e nesse espaço de tempo, não houve nenhuma modificação estrutural no sistema de segurança pública naquele estado, e nós sabemos que logo seremos chamados a intervir novamente.
Temos operações de defesa civil, por exemplo, distribuímos água a 4 milhões de habitantes do polígono da seca no Nordeste. Fazemos isso, senhoras e senhores, há 14 anos já.
O governo despende, mais ou menos, R$ 1 bilhão por ano nesse programa emergencial, 14 anos, já são lá R$ 14 bilhões, que poderiam ter sido empregados em obras estruturais para modificar aquela realidade, e assim, enfim, permanentemente somos empregados.

No ano passado, 2017, tivemos 507 operações, com mais de 130 mil militares sendo empregados. 
Então vejo que as FORÇAS ARMADAS exigem sistemas de proteção social particulares, peculiares, para que se tenha sempre uma instituição para ser empregada a qualquer momento, em qualquer local, e por um tempo indefinido.

Então, essas quatro funções da defesa precisam ser inseridas nesse sentido de projeto que nós urgentemente temos que desenvolver.

Eu espero que na campanha eleitoral deste ano nós consigamos colocar esses temas em discussão junto com outros temas de Estado, e já estamos até confesso, trabalhando, fazendo contato com os candidatos já, mais ou menos, consolidados e oferecendo até consultoria e ajuda para que eles trabalhem nesse sentido.

Então esse era um dos aspectos que eu queria apresentar aos senhores, agradeço pela oportunidade e pela paciência de me ouvir.

Muito obrigado.

Revista *Consultor Jurídico*, 28 de janeiro de 2018, 10h32

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

FOGO AMIGO


Caros Companheiros,

Antes de abordar o assunto em foco, começo por citar três exposições  dos Companheiros ANTÔNIO J. CARVALHO, que é o titular do Blog do Carvalho, ABEL FERREIRA LEAL JÚNIOR e   PEDRO PAIM:

Manifestação de ANTÔNIO J. CARVALHO:
Concordo com Abel,
Se existem irregularidades devem ser denunciadas à Ouvidoria, PREVIC, no caso da PREVI, ANS, no caso da CASSI Conselhos Fiscais e ao Ministério Público para apuração com rigor.
O que não é bom é ficar no achismo, levantando suspeitas, ficando somente nos comentários superficiais nos grupos.
CARVALHO. 

Esclarecimento de ABEL FERREIRA LEAL JÚNIOR:
De: RedeSos@yahoogrupos.com.br[mailto:Rede-Sos@yahoogrupos.com.br] Enviada em: 22.01, 2018;02:50;Para: Rede-Sos@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [Rede-Sos] 2 º Boletim DIPES sobre a Cassi.  
Colega Cecilia, 
Os dados informados por você são extremamente estranhos. A meu ver, existe flagrante desvio de finalidade, não encontrei nem nos estatutos e nem nos regulamentos da Cassi autorização dela em participações societárias. Na prática, se o fato for comprovado, é crime e a restituição se apresenta obrigatória, com punições criminais para os responsáveis, inclusive o Banco.
Como podemos ver, a Previ e a Cassi estão parecendo “latrina de rodoviária”.
Quanto a falta de resposta, isto é fácil de resolver. 
Uma coisa é certa, temos que apurar tudo e agirmos com firmeza, nem que isto coloque muita gente na cadeia.
Só não podemos ficar apenas comentando.
Sugiro formarmos uma frente de proteção à previ e a cassi, composta pelo MSU e todos os demais grupos existentes de funcionários aposentados, arranjarmos uma Instituição que queira nos representar e irmos para o pau. Mas reafirmo que temos que ter fatos e dados comprovados. A medida Judicial mais certa para o caso é uma Auditoria Judicial que pode ser iniciada pelo Ministério Público Federal que irá puxar o fio desse novelo. 
Um abraço 
Abel Ferreira Leal Junior

E-MAIL  DE PEDRO PAIM:
Colega,
O assunto tratado no artigo abaixo, na minha opinião, não pode ser esquecido quando estivermos na busca de caminhos para a Cassi.
Tratar a Cassi apenas na base da emoção, da disputa eleitoral, pode nos levar a "um beco sem saída".
PAIM – 02.02.2018

CAROS COLEGAS,

Não pretendo me alongar nesta nota.
Inicialmente selecionei, entre inúmeras outras manifestações de vários companheiros, as colocações do ANTÔNIO J. CARVALHO, do ABEL FERREIRA LEAL JÚNIOR e do PEDRO PAIM.
Todos os três ressaltam a inutilidade e a inconveniência de serem levantadas acusações e suspeitas sem qualquer base, provas ou fundamentações que as sustentem.
São apenas “palavras ao vento” que causam perda de tempo, conduzem a investigações cansativas e inúteis   que não levam a lugar nenhum, e que só servem para prejudicar e atrapalhar discussões sérias em que são debatidos e definidos temas da mais alta relevância para os nossos interesses.  
Isso só nos prejudica.
Cito, em especial, parágrafo da exposição do companheiro ABEL:
“Como podemos ver, a Previ e a Cassi estão parecendo latrina de rodoviária.”
É lamentável que essa visão, no que tange às nossas entidades mais importantes, por vezes, apareça nas redes de funcionários. Infelizmente, o colega ABEL está certo.
Este próprio blogueiro, há tempos, foi qualificado, em uma rede de funcionários, de “BABACA”, por uma pessoa despreparada que, por falta de  educação e absolutamente carente de argumentações e estrutura para rebater meus argumentos, partiu para o insulto pessoal.  Não satisfeita, essa caluniadora ainda disse que eu estaria recebendo recursos pecuniários oriundos da AAFBB para sustentar este blog, o que é absolutamente inverídico. Mantenho este blog às minhas próprias expensas.
Para meu absoluto espanto, não houve qualquer análise prévia e nem bloqueio do texto por parte dos responsáveis da rede.
Apenas, depois, houve uma tentativa por parte de uma dirigente da rede de “justificar” a agressão.
Ninguém esquece uma ofensa desse nível.
Eu poderia até ter processado essa caluniadora. Mas fiquei com pena. Com certeza é uma pessoa infeliz e comprometida emocionalmente.
Posso ter elaborado artigos ácidos na defesa de meus pontos de vista e, em situações específicas, ter atingido interesses de terceiros.
Isso faz parte do jogo.
Mas nunca fui desrespeitoso com ninguém, nunca fui insultuoso com qualquer pessoa e nunca levantei calúnias contra qualquer semelhante.
Sempre tive e terei a humildade de recuar e me justificar quando sentir que cometi alguma falha que tenha maculado injustamente a imagem ou os interesses de quem quer que seja.
Por isso é que não quero ser político, juiz de futebol (tenho pena de suas progenitoras que são caluniadas injustamente), e nem massagista de jogador (quando eles vão socorrer e massagear os jogadores, são chamados de “parteiras”).
Apesar da gravidade do insulto e da infâmia, levei essa baixaria na galhofa.
Fiquei tão espantado e intrigado que cheguei até a me examinar no espelho para ver se tinha alguma remota semelhança com o órgão feminino de cujo nome fora designado. Felizmente não vi nada em comum.
Esse exemplo comprova que o nível das notas nas redes, por vezes, se equipara ao do vernáculo rasteiro utilizado por marginais em presídios.
Todos discordam dos representantes governamentais que nos impõem resoluções e normas que afrontam nossas conquistas sociais na CASSI, como é o caso da recente Resolução CGPAR 23, de 18.01.2018.
Já a malfadada Resolução CGPC  26, de 29.09.2008, desfalcou 50% do superávit de nossa PREVI para os cofres do patrocinador e até hoje essa ilegalidade ficou impune, apesar de inúmeras investidas jurídicas de nossas entidades e associações para reverter essa espoliação.
Então, companheiros, parem e pensem.
Esses representantes governamentais são frios, são objetivos, são calculistas, são decididos e são rápidos no gatilho.
E não tem pena até porque não são aves.  
E o pior: são eles que estão com a faca e o queijo nas mãos!!
E temos de considerar que temos uma Justiça emperrada, fragilizada, morosa, burocratizada e ineficiente.
Diante de tais obstáculos, se poderia perguntar: Adianta lutar contra esse “tsunami” governamental??
Lógico que adianta lutar.
O problema -  desculpem-me a sinceridade - é que, quem está fazendo o jogo dos adversários somos nós. Isso é o que os estrategistas militares chamam de FOGO AMIGO.
Devemos   parar com tiroteios  entre companheiros, voltar à lógica e à racionalidade, e defender teses cabíveis que realmente atinjam as argumentações e os interesses de nossos opositores.
Na Mesa de Negociações, o que vale são FATOS e propostas viáveis em relação à qualquer pleito. Tudo nesta vida pode ser reinterpretado e mudado. Menos a morte que é a nossa única certeza.
E aí entra o nível dos dirigentes de nossas entidades e associações que são nossos representantes e interlocutores nas discussões com políticos e representantes governamentais.
Como resido no Rio e sou associado da AAFBB, ressalto, entre outros companheiros, o papel da atual Presidente da associação, LORENI DE SENGER, da Presidente do CODEL, CÉLIA LARÍCHIA, e do Presidente do CONFI, GILBERTO SANTIAGO, que estão muito bem assessorados por colegas de apurada formação técnica e com excelente desenvoltura e experiência em negociações.
LORENI DE SENGER e CÉLIA LARÍCHIA são calmas, são envolventes, são elegantes, determinadas, têm uma energia impressionante, sabem tudo do ramo e sempre estão absolutamente focadas nos objetivos a serem atingidos em benefício de nossa categoria.
Além da AAFBB no Rio, temos, em Brasília, a ANABB.
Na revista da ANABB, sempre leio os excelentes e elucidativos artigos de todos dirigentes da ANABB, mas, lamentavelmente, entre eles, só conheço pessoalmente o REINALDO FUJIMOTO, o FERNANDO AMARAL, a ISA MUSA DE NORONHA, a ANA LÚCIA LANDIN, a CECÍLIA GARCEZ, o ODALI CARDOSO e o WILLIAMS FRANCISCO DA SILVA.
Um dia, vou ter o prazer de conhecer pessoalmente a GRAÇA MACHADO, o DOUGLAS SCORTEGAGNA, o HAROLDO DO ROSÁRIO VIEIRA, o JOÃO BOTELHO, o LUIZ OSWALDO SANTIAGO MOREIRA DE SOUZA, e tantos outros admiráveis companheiros.
Também ressalto a importante posição de WILLIAMS FRANCISCO DA SILVA como Presidente da AAPBB no Rio de Janeiro. Em relação à AAPBB, lembro os companheiros com os quais tenho mais contato, que são RUI BRITO DE OLIVEIRA FEITOSA, DOUGLAS LEONARDO GOMES e MARCOS COIMBRA.
Outra pessoa que não poderia deixar de ser destacada é  ISA MUSA DE NORONHA, que é a Presidente da FAABB – Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil.
ISA MUSA DE NORONHA dispensa comentários. Se fosse falar de ISA MUSA DE NORONHA teria de reservar vários e longos artigos somente para falar de seu papel em prol de todos nós e de nossas associações.
Não poderia deixar de citar dois grandes expoentes em nossa área que são o SÉRGIO FARACO e o MÁRIO MAGALHÃES, aos quais sempre recorro para o esclarecimento de dúvidas.
Também cito a ANAPLAB e os seus titulares ARI ZANELLA e ROSALINA DE SOUZA.
ARI ZANELLA dirige dois blogs: o blog do Ari Zanella e o blog Terceira Via.  É no Blog do Ari Zanella que são publicados os admiráveis e rebuscados artigos do Eterno Diretor JOSÉ ARISTOPHANES PEREIRA.
ROSALINA DE SOUZA tem o blog que leva seu nome. Imploro à querida ROSALINA DE SOUZA que reative seu blog e volte à luta. ROSALINA, você é fundamental para a defesa de todos nós!! Não nos abandone!! Você e o ARI ZANELLA estão entre os maiores conhecedores dos espinhosos assuntos ES, financiamento imobiliário, seguros e CASSI.
Um blogueiro que não poderia deixar de citar é o JOÃO CARLOS PEREIRA DO LAGO NETO, que dirige o Blog do Lago Neto, que é o blog mais rico de informações gerais em nossa área.
Outro blogueiro notável é o EDGARDO AMORIM REGO, que comanda o Blog do Ed, cujo somatório de artigos comporia uma verdadeira enciclopédia na área do Direito.
Outras duas pessoas que também não poderia deixar de relacionar são os blogueiros CECÍLIA GARCEZ e o MEDEIROS, que estão colocando seus blogs novamente na ativa. CECÍLIA GARCEZ e MEDEIROS têm papel decisivo na defesa de nossos interesses por fazerem parte do quadro dirigente da PREVI e estarem a par de detalhes importantes que fogem ao conhecimento da maioria dos associados.
Por longo tempo, poderia ficar mencionando um sem-número de outros companheiros que se mantém numa luta sem quartel em nossa defesa.
Por isso, peço desculpas aos ilustres companheiros que, porventura, eu não tenha mencionado neste relato.
Se assim o fizesse, além de ficar um artigo pesado e enfadonho, eu fugiria do objetivo primordial que é apontar as mais destacadas personalidades, as mais importantes associações, entidades e blogs de nossa área, aos quais os interessados podem mandar suas sugestões e comentários.  
É sempre relevante reafirmar que contamos com um número imenso de dirigentes de associações e entidades, altamente capacitados, que desenvolvem um fenomenal esforço em nossa defesa.
Sempre, e cada vez mais, é importante que esses dirigentes contem com a colaboração de todos nós na consecução das metas que nos dizem respeito.
Por tudo isso, mais uma vez, conclamamos todos os funcionários da ativa do BB, dos aposentados, pensionistas e dependentes, que não se desliguem de suas entidades e de suas associações e se integrem na luta por nossos objetivos comuns.

Bom Carnaval e Felicidades a Todos!!

ADAÍ  ROSEMBAK

Associado da AAFBB, ANABB e ANAPLAB

sábado, 27 de janeiro de 2018

CUIDADO COM AS PALAVRAS E COM AS AÇÕES


Caros Amigos,

Tem uns dias em que a gente acorda e que tudo dá errado, e parece que vai continuar dando errado.
Problemas no condomínio: piscina com água esverdeada em razão de dosagem errada de cloro; sauna em conserto; briga  entre condôminos; fofocas e reclamações no site do condomínio; vazamentos persistentes; um gerador da rua pifou e faltou luz no condomínio inteiro; gente presa nos elevadores; eletrodomésticos e TVs queimaram, inclusive minha geladeira   ... e por aí vai!!
Fui ao supermercado e o medidor de gasolina do carro estava inoperante e quase fico no meio do caminho sem gasolina.
Fui dar uma olhada no blog e me deparei com um comentário negativo do meu querido amigo JÚLIO ALT em relação a uma ironia que escrevi sobre ele.
Fui reler o que escrevi e vi que fiz uma baita lambança.  Foi mais uma lição. Sempre temos que rever com cuidado o que escrevemos, pois as emoções e os atos precipitados costumam nos trair.
Tudo isso me deixou de baixo astral.
Em relação à lambuzada no blog, havia tentado repetir um golpe muito bem-urdido que apliquei anos atrás em um tipo de circular de dança de salão que havia criado. Naquele tempo – e lá se vão uns 35 anos -  não existiam blogs como existem hoje.  Lancei um jornaleco de edição restrita para colocar notícias do mundo da dança de salão, mas quase ninguém lia. O pessoal gostava mesmo era de dançar. Foi um fracasso.  
Mas dei   um   golpe   que hoje   chamaria   de “fake news” – para promover, momentaneamente, meu informativo. E deu certo.
Tinha assistido a uma apresentação de um grupo de dança do JAIME ARÔXA, exímio professor de dança de salão, e dono de uma academia de dança com filiais no Rio de Janeiro e São Paulo. Para muitos aficionados da dança de salão, JAIME ARÔXA, ao lado de CARLINHOS DE JESUS, são considerados os maiores expoentes da dança de salão no Brasil.
Ao final da apresentação de seu grupo,  JAIME ARÔXA dançou  um tango  com uma dançarina maravilhosa, que foi um sucesso estrondoso. O JAIME ARÔXA dera um show sensacional. Eu nunca tinha visto no Brasil alguém dar um espetáculo de tango naquele nível.
O saguão estava cheio e o público inteiro, de pé, não parava de aplaudir.
No outro dia, ardilosamente, disparei um “fake news”, noticiando o “fracasso” da apresentação do JAIME ARÔXA.
Os protestos foram imediatos e vieram em enxurrada. O meu modesto jornalzinho bombou  em razão, justamente, da falsa notícia.
No dia seguinte, despachei outra nota pedindo “desculpas” pelo erro e comunicando que a apresentação de tango do JAIME ARÔXA havia sido um sucesso absoluto. 
Desta vez, o mesmo artifício com o JULINHO ALT deu errado. Calculei mal e o tiro saiu pela culatra.
Apresentei minhas desculpas ao JÚLIO ALT. Agora apresento minhas justificativas. Mais não posso fazer.
Paciência. Vida que segue.
A confirmação da condenação de LULA com o aumento da pena, continua a ser o foco na mídia.
Preferiria não abordar esse tema. Compreendo perfeitamente a dor de um desencanto político.
Mas, devido à existência deste blog, sinto-me não só no direito como até no dever de exercer minha opinião sobre esse assunto.  
Na juventude também fui um comuna fanático. Tinha uma coleção de livros de esquerda.
Tive a conscientização de que a teoria igualitária do comunismo era uma utopia   e, na prática, um fracasso,  quando eu era um adolescente, exatamente em março de 1964, com a tomada do poder do país pelos militares.
Muitos esquerdistas podem contestar, mas o que ocorreu em 1964, gerou uma verdadeira revolução. Qualificar de golpe ou não, é uma consideração de somenos importância.
Um dia anterior à tomada do poder pelos militares, as manchetes dos jornais noticiavam greves     em todo o país e em diversas áreas, confrontos e correrias pelas ruas, pancadarias, agressões pessoais, vandalismo generalizado, roubos, incêndios e depredações.    
FRANCISCO JULIÃO, líder das Ligas Camponesas, que antecedeu o MST, promovia invasões violentas de fazendas e propriedades rurais, sob a alegação de promover a reforma agrária.
Já o Cabo ANSELMO, chefe dos marujos rebelados, incitava os militares à sublevação nas forças armadas. Tempos depois, descobriu-se que o Cabo ANSELMO era um elemento infiltrado pelos serviços de segurança interna da Marinha de Guerra para descobrir líderes esquerdistas dentro de suas fileiras.
JANGO GOULART, LEONEL BRIZOLA e outros políticos, promoviam comícios e faziam discursos inflamados incitando o povo à revolta popular pelas reformas de base.
O Comício da Central do Brasil foi o mais notório desses comícios e, junto com a rebelião dos marinheiros, foi o estopim que levou à intervenção militar.
Vivia-se um período de extrema conturbação política, de agitação, de violência, de medo e de tumulto, em meio a boatos de toda ordem, sem as pessoas saberem o que fazer, temendo o que as esperavam nas ruas, e sem terem certeza se conseguiriam voltar para seus lares.
Lembro-me exatamente como, no outro dia após a intervenção militar, ao folhear um jornal, tive a sensação de que  estava em outro país.  
As notícias proclamavam a absoluta paz no país, reconhecimento da situação econômica e política do Brasil pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais, melhora da economia, fim das greves, retomada dos serviços públicos, etc.
Só notícias boas. Nas janelas tremulavam bandeiras brancas e do Brasil e as pessoas jogavam papel picado e serpentinas.
Não se enxergavam passeatas e nem manifestações de protestos.
Por incrível que pareça, respirava-se um clima de tranquilidade e paz. As ruas estavam pacificadas.
Em breve, os porões da ditadura iriam começar a ficar ocupados.
Onde estavam os líderes e agitadores de antes da tomada do poder pelos militares? Onde estavam JOÃO GOULART, LEONEL BRIZOLA, o Cabo ANSELMO e FRANCISCO JULIÃO? Não se falava mais dessa turma. Todos tinham fugido. Como dizia a letra de um samba: “Não ficou um meu irmão...”
Como bucha de canhão ficaram os agitadores nas forças armadas, líderes estudantis e sindicalistas engajados.
Um a um foram todos sendo presos.
Outros se engajaram em grupos armados e foram lutar contra as forças militares no interior do país.
Desse período, me lembro de um ativista de esquerda, fanático e atuante. Só me recordo de seu primeiro nome – LINCOLN.  Tempos depois, um conhecido comentou comigo que, pela minha descrição e nome, essa pessoa teria entrado no submundo do terrorismo revolucionário. 
Em relação à BRIZOLA, me lembro de ter lido uma notícia de que ele tinha fugido para o Uruguai vestido de mulher.
Eu já trabalhava no BB e não queria saber de confusão. Tinha de trabalhar para sobreviver.
Antes do golpe militar, estudava russo diariamente pois queria ir estudar economia na Rússia, em Moscou, na Universidade Patrice Lumumba.
Cheguei a ter uma entrevista com o representante consular da Rússia, BORIS KASTRITCH, no Consulado da Rússia, em Botafogo.
Com a revolução,  interrompi esse projeto.
As perseguições e prisões políticas começavam a se intensificar e, para evitar problemas, me desfiz de meus livros esquerdistas.
Acabei indo fazer um curso de inglês na South Florida University, em Tampa, Flórida, Estados Unidos.
Todas essas passagens, naquela época, me convenceram de que minhas teorias políticas não tinham base na realidade.
Todo a propaganda revolucionária e teoria comunista que impregnava a mente de seus prosélitos, era de fato um movimento de minorias, que viviam enclausuradas em células de partidos radicais de esquerda,  mas que estavam distanciadas do povo e não mobilizavam as massas.
Todo aquele castelo ideológico havia desabado de forma  fácil e rápida como se fosse  de areia.
Ao reconhecer a fragilidade e irrealismo de meus devaneios políticos frustrados de adolescente, que queria mudar o mundo, como disse CAZUZA em uma de suas músicas, cheguei à conclusão de que aquela experiência ideológica equivocada fora uma importante conquista para o futuro de minha vida.
O resto todos conhecem.
O tempo voou.
A constatação definitiva de que tudo aquilo fora, de fato, um descaminho histórico e político, confirmou-se com o fim da URSS, há 25 anos atrás.
Somente podemos lamentar que a frustrada experiência comunista na ex-URSS, a maior ilusão política não só do Século XX, mas de toda a história da humanidade, tenha sacrificado, só no âmbito da URSS, entre guerras e expurgos internos, mais de 70 milhões de vidas.
Lembro-me de que, quando a imprensa noticiava a implosão da URSS, eu estava tomando uns chopes no Largo do Machado, no Rio e, em frente ao restaurante, uma senhora com dois rapazes, com microfones e autofalantes, faziam discursos políticos exaltados condenando os Estados Unidos pelo fim da URSS. 
Eu os olhava com espanto pelo papel ridículo que estavam representando.  Eram figuras realmente patéticas.
Só não os convidei para tomar um chope comigo, pois fiquei com medo de que quebrassem as canecas na minha cabeça, porque sabia que não me conteria e iria lhes perguntar se não lamentavam os 70 milhões de seres humanos que foram sacrificados, na ex-URSS, pela implantação da ideologia equivocada que eles estavam defendendo naquele momento.
Agora, com a confirmação da condenação de LULA por 12 anos e cinco meses, por UNANIMIDADE, sinto esses  mesmos sentimentos pelos defensores do PT e por políticos como GLEISI HOFFMANN e LINDBERGH FARIAS.
Será que não enxergam que LULA e o PT chegaram ao fim da linha?
E ainda ficam desafiando a Justiça com ameaças demagógicas de desobediência civil, mobilização das massas e morte de milhões de pessoas se seus ditames políticos não forem seguidos?
Caiam na real.
Não é com sanduíche de mortadela e  refresco de laranja e com R$ 30,00 por dia que irão mobilizar as massas.
Não tentem iludir e muito menos subornar o povo com migalhas.
O povo está amadurecido e não vai se iludir e nem aceitar mais essa empulhação.
O povo quer dignidade.
A vida continua e a revolução não para.
O povo quer democracia, quer liberdade de expressão, quer mudanças na estrutura do país, quer honestidade e justiça social por parte da máquina pública, quer que as instituições funcionem de fato, quer educação de alto nível, quer assistência social e de saúde dignas, quer creches de bom padrão, quer aumento do poder aquisitivo, quer aumento de emprego, e quer que se tenha estabilidade política que propicie paz para o progresso geral do país.
É essa a revolução que o povo quer.
A propósito de tudo o que foi dito acima, para mostrar  o resultado do que se transformou a frustrada implantação sanguinária do comunismo que, repito,  deixou, no século passado, somente  na ex-URSS, um rastro trágico de 70 milhões de seres humanos assassinados,    e para que não se continue a sonhar em utopias, transcrevo adiante o magnífico e elucidativo artigo “Para entender o país da Copa do Mundo”, publicado na Revista “ÉPOCA”, pelo Jornalista HÉLIO GUROVITZ, na edição nº 1018, de 25.12.2017.
Boa leitura e profícuas reflexões!!
Atenciosamente

ADAÍ ROSEMBAK

Associado da AAFBB, ANABB e ANAPLAB

PARA ENTENDER O PAÍS DA COPA DO MUNDO

O produtor de TV britânico PETER POMERANTSEV fugiu com os pais da União Soviética para Londres em 1978, quando bebê.
Voltou à terra natal para tentar a sorte profissional em 2002, no momento em que o presidente VLADIMIR PUTIN consolidava seu poder.
Morou em Moscou por quase dez anos.
Voltou ao Reino Unido e, desiludido, publicou no final de 2014 um livro sobre sua experiência: Nothing is true and everything is possible (Nada é verdade e tudo é possível).
No ano da Copa do Mundo, , quem quiser entender a Rússia de PUTIN precisa ler POMERANTSEV.
“Não se trata de um país em transição, mas de uma espécie de ditadura pós-moderna, que usa a linguagem e as instituições do capitalismo democrático para fins autoritários”, escreve.
Há eleições, mas a oposição é financiada e serve aos interesses do Kremlin.
Há sociedade civil e ONGs, mas também leais ao Kremlin, defendendo apenas causas que não envolvam temas sensíveis, como oligarcas ou declínio econômico.
Há livre mercado, mas as megacorporações são comandadas por figuras fiéis a PUTIN – se deixam de sê-lo, são descartadas.
Imprensa e canais de TV são profissionais como no Ocidente, mas sem autonomia para produzir conteúdo que ofenda os interesses do governo.
“Você pode dizer o que quiser, desde que não siga as pistas da corrupção”, diz POMERANTSEV.
O maior exemplo é a RT, criada à imagem de redes independentes como a BBC, mas na verdade uma máquina de propaganda usada para fins políticos.
“Moscou pode transmitir uma sensação de oligarquia pela manhã e democracia à tarde, monarquia no jantar e Estado totalitário na hora de dormir.”
Nada é real, tudo é mentira, feito de espuma e aparências.
A pátria das “fake News” do século XXI é a mesma das “cidades POTEMKIN” do século XVIII (segundo a lenda, o ministro GRIGORY POTEMKIN mandou erguer na Crimeia um cenário de fachada para impressionar sua amante, a imperatriz CATARINA II).
A mesma do comunismo, quando estatísticas e imagens forjadas passavam uma ideia falsa de pujança.
A mesma das privatizações fraudadas, do patrocínio estatal ao doping e da corrupção olímpica nos Jogos de Sochi.
A mesma dos “comunistas com cara de beterraba” e dos “nacionalistas que cospem”, onde a verdade perdeu qualquer valor.
“A Rússia experimentou com diferentes modelos e velocidade alucinante: a estagnação soviética levou à perestroika, que levou ao colapso da URSS, à euforia liberal, ao desastre econômico, à oligarquia e ao Estado mafioso”, escreve POMERANTSEV.
“Como acreditar em qualquer coisa quando tudo muda tão rápido?”
O cinismo da era PUTIN é sucessor do sentimento de abandono dos tempos do czarismo e do stalinismo.  
POMERANTSEV não chama PUTIN pelo nome – apenas de “o presidente”.
Seu olhar curioso e melancólico lembra a escritora SVETLANA ALEKSIÉVITCH, Nobel de literatura de 2015 e autora de “O fim do homem soviético”.
Sua visão ácida da elite emergente lembra a ativista MASHA GESSEN, autora de livros e ensaios críticos a PUTIN. Seu texto mistura descrições minuciosas de cenários moscovitas ao drama dos personagens capturados no torvelinho da Rússia pós-soviética.
OLIONA, a modelo à caça de milionário nas baladas de Moscou.
As irmãs muçulmanas do Cáucaso, uma prostituta, a outra jornalista.
BENEDICT, o consultor irlandês que se torna refém da burocracia e da corrupção em Kaliningrado.
GRIGORY, o empreendedor genial e riquíssimo, promotor de nababescas festas temáticas.
YANA, a empresária presa sem saber por que, graças à disputa interna entre os chefes da espionagem estatal.
VITALY, o gângster transformado em cineasta.
VLADIK, o artista performático banido, de tanto satirizar os poderosos.
MOJAIEV, conhecedor de cada rua e prédio moscovita, derrotado no embate contra a especulação imobiliária.
MAGNITSKY, o advogado assassinado após desvendar um gigantesco esquema de corrupção tributária.
RUSLANA e ANASTASIA, as top models que se matam depois de um devastador curso de “coach da vida”.
Frustrado por não conseguir terminar seu documentário sobre as modelos suicidas, POMERANTSEV deixa o país.
Em Londres, testemunha num tribunal a disputa histórica entre os dois maiores oligarcas russos, BÓRIS BEREZOVSKY e ROMAN ABRAMOVITCH.
Reflete sobre como a cultura de indiferença à realidade se dissemina por outros países:
“Os russos são os precursores, formadores da tendência, porque têm aperfeiçoado isso por alguns anos a mais. Tornaram-se pós-soviéticos um pouco antes de o mundo todo se tornar pós-tudo. Pós-nacional e pós-ocidental, pós-Bretton Woods e pós qualquer coisa. São YURI GAGÁRIN da cultura de gravidade zero”.
O maior símbolo é SURKOV, o publicitário, dramaturgo, romancista e especialista em “tenologia política”, o RASPUTIN responsável pela estratégia de comunicação tanto de BEREZOVSKY quanto de PUTIN.
Uma frase cunhada por ele é o mantra da Rússia contemporânea:
“Tudo são relações públicas”.