quarta-feira, 29 de julho de 2020

CPI dos FUNDOS DE PENSÃO - Íntegra do Depoimento de ISA MUSA DE NORONHA

Caros Companheiros,

 

Poucas vezes nos deparamos com textos tão bem redigidos, objetivos,  precisos e  perfeitos como a Íntegra do Depoimento de ISA MUSA DE NORONHA 

                                     

na CPI dos FUNDOS DE PENSÃO.

 

São peças que lemos várias vezes, que estudamos em detalhes e sobre as quais consolidamos as diretivas de nossas ações.

 

São verdadeiras joias literárias que nos deixam inquietos, reflexivos, e que mobilizam nossas energias para mudanças necessárias, tomada de posições e para a ação.

 

É isso que enxergamos  quando lemos a Íntegra do Depoimento de ISA MUSA DE NORONHA, na CPI DOS FUNDOS DE PENSÃO, que recebi pelo grupo (bbfuncionarios@yahoogrupos.com.br) em 27.07.2020.

 

Sentimo-nos honrados em repassar aos leitores   esse texto   tão primoroso, abrangente e detalhado de ISA MUSA DE NORONHA sobre os fundos de pensão e, em especial, a PREVI – FUNDO DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL

 

Poucas vezes um texto como esse foi tão oportuno e providencial.

 

Como podemos acompanhar diariamente pela mídia, estamos passando por uma quadra em que  forças poderosas que dirigem o país, acobertam interesses estranhos e até alienígenas, que visam usurpar o patrimônio brasileiro através de operações exóticas, audaciosas, mal explicadas,   sem o respaldo técnico e legal de órgãos governamentais, e desprovidas das garantias e medidas cautelares cabíveis, em benefício de grupos privados nacionais ou estrangeiros.

 

O exemplo mais recente desse tipo de operação audaciosa, perigosa, e que pegou a todos de supetão,  foi o Comunicado ao Mercado do BANCO do BRASIL, de 01 de julho de 2020, firmado pelo Vice-Presidente CARLOS HAMILTON VASCONCELOS ARAÚJO, em que é informado que o BANCO DO BRASIL S.A.(BB) realizou Cessão de Carteira de Créditos, majoritariamente em perdas, a Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizado e Exclusivo (FIDC-NP), administrado pelo BTG PACTUAL Serviços Financeiros S.A. DTVM.

 

A carteira cedida possui valor contábil de R$ 2,9 bilhões e o impacto financeiro da transação será de R$ 371 milhões, antes dos impostos, contabilizados no resultado do 3T20. (esclareço que 3T20 é terceiro trimestre de 2020).

 

Ainda é acrescentado que essa operação é o piloto de um modelo de negócios recorrente que o BANCO DO BRASIL está desenvolvendo para dinamizar, ainda mais, a gestão do portfólio de crédito.

 

Podemos encontrar a cópia integral desse Comunicado ao Mercado, do BANCO DO BRASIL, de 01 de julho de 2020, no site da ANABB e/ou neste blog  ao final do artigo ANABB em FOCO – de 10.07.2020.

 

Como desculpa esfarrapada para essa operação perigosa, precipitada, sem as garantias e cautelas necessárias, e sem as análises legais e técnicas  cabíveis, que pode acarretar sérias perdas ao BB, alegou-se que essa operação é o piloto de um modelo de negócios recorrente que o Banco está desenvolvendo para dinamizar, ainda mais, a gestão do portifólio de crédito.

 

Isso tudo exposto, mais do que nunca, temos de estar absolutamente atentos e ágeis para defender o BB e a PREVI, instituições   tão vitais para o interesse do Brasil e de seu povo.

 

Aproveito este ensejo para parabenizar a ANABB, na figura de seu Presidente REINALDO FUJIMOTO                                        

que,  tem tomado a dianteira nessa ação.

 

Nos artigos ANABB em FOCO em FOCO de 10.07.2020, 22.07.2020 e 25.07.2020, neste blog, a ANABB elenca 6 (seis) questionamentos ao BB sobre essa estranha e suspeita operação.

 

No que tange a iniciativas junto ao Poder LEGISLATIVO, os Deputados ÊNIO VERRI (PT/PR) e   GLAUBER BRAGA (PSOL-RS) já protocolaram requerimentos na CÂMARA dos DEPUTADOS, inclusive convocando o Ministro da Economia, Sr. PAULO GUEDES, para explicar essa questão.

 

Boa Leitura a todos !!

 

ADAÍ  ROSEMBAK

 

Associado da AAFBB  e ANABB

 

ÍNTEGRA do depoimento de ISA MUSA DE NORONHA

(Retirado das Notas Taquigráficas da Câmara)

CPI dos Fundos de Pensão.

 

Sras. e Srs. Deputados, colegas aposentados e pensionistas assistidos da PREVI, da FUNCEF, do POSTALIS que aqui estão e vieram acompanhar a CPI.

A convocação para comparecer a esta CPI enche de expectativa e esperanças todo o segmento de aposentados e pensionistas.

Nós somos os mariscos dos embates entre patrocinadores e fundos de pensão.

Nós sofremos os efeitos de uma legislação que muitas vezes rompe direitos adquiridos, rompe o ato jurídico perfeito.

Sofremos também pelas falhas de fiscalização, porque tanto na antiga SPC como agora na PREVIC, temos observado que os processos de fiscalização são insuficientes sob o ponto de vista dos interesses de aposentados e pensionistas.

O que seria a falha no ato jurídico perfeito e a quebra de direitos adquiridos?

Eu me refiro ao contrato de adesão que firmamos quando tomamos posse na estatal, no caso, no Banco do Brasil e, compulsoriamente, somos chamados a aderir à PREVI.

Pelo menos era assim no passado, essa mudança passou a ser voluntária para os planos pós-97.

E a PREVI nasceu muito antes de qualquer legislação da Previdência.

Ela é de 67, na forma como nós a conhecemos, e a primeira legislação é a 6.435.

Esses contratos de adesão seguiam os moldes dos demais contratos.

Ocorre que um fundo de pensão é um contrato de longuíssima vigência: 40, 50, 60 anos.

De tal sorte, consideramos que tais contratos jamais poderiam ser alterados por uma das partes, sem a concordância expressa, escrita, da outra parte - no caso, nós.

E, mais ainda: esse contrato tem três atores: o patrocinador, o fundo de pensão e nós.

O que ocorre é que patrocinador e fundo de pensão se entendem e alteram as regras pactuadas no passado e nós sofremos os efeitos.

Nós somos chamados a decidir, a votar em plebiscitos, uma coisa já pronta, já formatada por patrocinador e pelo fundo de pensão.

Desde a primeira edição de lei sobre a previdência complementar, nós, os mariscos, assistimos à alteração dessas regras, o que é inadmissível.

Uma lei, um decreto, não poderia vir para prejudicar.

Esses só poderiam ter seus efeitos a partir da sua assinatura e atingir só quem aderisse ao plano daí para frente.

Mas não tem sido assim.

Eu sei que o escopo desta CPI se restringe a investigações do período entre 2003 e 2015, mas para que possamos compreender o peso da ingerência política sobre os fundos de pensão é preciso retroceder.

Todos se lembram dos processos de privatização das teles, da Vale e da ingerência política que ocorreu nessas privatizações do passado.

A mesma Vale do Rio Doce, que primeiro tirou o Rio Doce do nome e agora o riscou do mapa, teve ingerência política de entidades, pessoas do Governo, para forçar a PREVI a participar do processo.

Todos se lembram de um ex-diretor do Banco do Brasil, Dr. Ricardo Sérgio, aquele que teria dito que agia no limite da irresponsabilidade.

Então, a PREVI não está isenta, e nenhum outro fundo de pensão está isento, de ingerência política.

Por quê?

Para nós aposentados e pensionistas, o que assistimos é que pagar benefício é um mero detalhe de um fundo de pensão.

Objetivo mesmo é servir de investidor institucional para as parcerias privadas, para as obras da Belo Monte, para as obras do trem-bala, para as obras de interesse de Governo, seja qual for o Governo.

As políticas para fundo de pensão não são privativas de um partido, são políticas de Estado.

Qualquer que seja o Governo, nós vamos sentir o peso de sua influência sobre os nossos interesses no fundo de pensão.

Bem, quando a PREVI nasceu, em 67, havia um pessoal que já estava no Banco do Brasil, que já estava aposentado.

Então, o Banco do Brasil tinha compromissos com esse pessoal pré-67 e passava a ter o compromisso de contribuir com os ativos e os aposentados a partir de 67.

Acontece que essa poupança deveria ser formada ao longo de 30 anos.

A PREVI só seria responsável por pagar os benefícios, por conta dela, PREVI, a partir de 97; e durante todo esse período, o banco não fez aportes à PREVI.

Isso foi objeto de investigação do Ministério da Previdência, e uma resposta de um Presidente do banco, à época, confirmou que, de fato, o banco não estava fazendo os aportes. Assim, em 97, acontece o começo do nosso calvário.

O jornalista Aloysio Biondi revela em seu livro O Brasil Privatizado, que, por interesses de governo, o Banco do Brasil apresentava um prejuízo monstruoso em 96 e que necessitaria de aportes do Governo.

Na época, Aloysio Biondi disse que esses balanços foram maquiados, porque considerou como dívidas, como inadimplência, até dívidas que ainda não estavam por vencer.

Pois bem, em vez de recorrer ao PROER, o Banco do Brasil recorreu à PREVI.

Fez um contrato entre o banco e a PREVI -, em que 5 bilhões da dívida do Banco do Brasil para com a PREVI foram perdoados e os outros 4 bilhões e tanto seriam pagos em 32 anos.

Então, o começo do uso dos recursos de fundo de pensão pelos patrocinadores, no caso do Banco do Brasil, começou em 1997.

Mais tarde, no ano de 2001, o Banco do Brasil voltou a apresentar dificuldades financeiras.

À época, o jornal Valor Econômico, de 15 de fevereiro de 2001, estampou a seguinte manchete: O Tesouro não terá que gastar nada para reequilibrar o banco: existe um plano pronto para capitalizar o BB.

Qual é a solução do Governo?

Utilizar dois terços do superávit da PREVI, que o banco naquela época, em 2001, já julgava pertencer a ele.

Os diretores da PREVI, resistiram a essa investida e o Governo da época decretou intervenção na PREVI.

Esse interventor implantou a paridade contributiva, mandou apurar o balanço da PREVI em 15 de dezembro, fora da época, e, do valor existente no superávit, o Banco do Brasil se apropriou de 5,726 bilhões.

Mais tarde, o Tribunal de Contas da União, em um processo de investigação que a então-Senadora Heloísa Helena pediu, considerou estranho que a PREVI tivesse feito esses acordos em condições tão favoráveis ao Banco do Brasil e tão desfavoráveis à própria PREVI.
Ingerências políticas.

Na época do interventor, ainda no Governo Fernando Henrique, o interventor da PREVI, Carlos Eduardo Esteves Lima, nós aposentados, pensionistas, parte do movimento sindical, todos nós reagimos à essa intervenção.

Achávamos que era indevida a ingerência do Governo no nosso fundo de pensão.

O que observamos?

Mais tarde, esse mesmo interventor veio substituir a Ministra-Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, já no Governo Lula.

Para nós, fica bem evidente que não importa quem esteja no Governo, as coisas que aconteceram no passado se repetem agora, mesmo sendo outro Governo.

Falhas de fiscalização.

No episódio do contrato de 1997, as associações de aposentados fizeram muitas denúncias à antiga Secretaria de Previdência Complementar. Lamentavelmente, aquele órgão, ao examinar tanto o estatuto quanto o contrato daqueles 11 bilhões, manifestou-se, através da Portaria 390, de 23 de dezembro de 97, dizendo estranhamente que a análise da SPC considerou apenas a forma e não o conteúdo.

Nós achamos inadmissível que um órgão de fiscalização ao examinar um negócio de 11 bilhões não se manifeste com clareza a respeito da regularidade daquilo.

Mais tarde, em 2006, a PREVI completava o terceiro o ano consecutivo de superávit.

Conforme a legislação previa, seria preciso rever o plano de benefício.

A PREVI, então, resolveu criar um benefício especial de renda certa que incluía a inédita devolução de benefícios a alguns aposentados e pensionistas.

Nessa devolução, a PREVI chegou a premiar 73 aposentados e pensionistas com valores que variaram em 300 mil a 1 milhão e 75 mil.

Nós, associação de aposentados e pensionistas, consideramos que
essa distribuição era ilegal, que feria a isonomia e que feria os direitos da grande maioria dos participantes, e recorremos à PREVIC, recorremos à Secretaria de Previdência Completar com denúncias.

Pois bem... O uso da PREVI, dos fundos de pensão para outros interesses, senão o de pagar benefícios não para por aqui.

Em 29 de setembro de 2008, o Conselho Nacional de Previdência Complementar criou a Resolução CGPC 26.

Essa resolução tem o objetivo de regular a Lei Complementar nº 109, no que se refere a equacionamento de déficit ou de superávit.

A CGPC 26 criou um monstro.

Ela criou uma figura do patrocinador beneficiário de fundo de pensão.

Definir por resolução que um patrocinador tenha direito a superávit é comparar um fundo de pensão a uma empresa que tem lucro, que tem ações em mercado.

Um fundo de pensão nasceu para pagar benefício.

Se existe déficit ou se existe superávit, é uma questão de desequilíbrio que tem que se ajustar revendo o plano, não é devolvendo nem para aposentado e pensionista e nem para patrocinador.

Se está sobrando dinheiro, é porque está pagando benefício de menos ou cobrando contribuição a mais.

Se está em déficit, é preciso analisar se o déficit é conjuntural ou estrutural e rever as condições do plano também. Uma boa medida: agora o Conselho Nacional de Previdência Complementar reviu essa equalização de déficit, alongando o prazo para poder definir que um plano está realmente em déficit.

Foi uma boa medida.

Deveria fazer o mesmo com o superávit, porque, em 2010, ao criar um benefício especial para a PREVI, acreditava-se que esse superávit era firme, forte e seguro.

Ele teve que ser suspenso antes do tempo previsto, porque o mercado entrou em crise.

Então, um fundo de pensão que vive das oscilações do mercado, sujeito a chuvas e trovoadas, não pode considerar um prazo tão pequeno de 3 anos.

Esta Casa poderia também estudar o alongamento, e até eu sugiro sustar artigos da CGPC 26, que permitem que patrocinador fique com parte do superávit.

O patrocinador não é aposentado e nem pensionista.

Existe também no Senado um PDS, de autoria do Senador Paulo Bauer, que pede revogação de alguns artigos da Resolução CGPC 26.

Outra maneira de interferir no fundo de pensão através de atos do
patrocinador.

Em 2008, o Banco do Brasil alterou toda forma de relação trabalhista entre ele e seus diretores. Ele transformou todos os seus diretores em diretores estatutários e assim reuniu, nos vencimentos de cada diretor, todas as verbas salariais.

Essas pessoas passaram a se aposentar pela PREVI sem nenhuma observância de teto e contando com verbas que não fazem parte do cálculo da grande maioria do funcionalismo do Banco do Brasil.

O Banco do Brasil, através desta medida, e a PREVI não estabelecendo um teto de aposentadoria, de benefícios, está fazendo uma casta de super aposentadorias colocando em risco todo o plano.

Nós denunciamos o fato, mostramos que existem regras estatutárias na PREVI que mostram quais são os valores que devem ser considerados para se conceder o benefício inicial.

De nada adiantou; a PREVIC não tomou nenhuma providência.

Aliás, tomou: determinou que Banco do Brasil e PREVI implantassem o teto, fez uma beleza de despacho, com todas as orientações sobre como a PREVI deveria proceder, retrocedendo a 2008, revendo as aposentadorias que foram concedidas acima do teto.

E a PREVI simplesmente não cumpriu, o banco simplesmente não cumpriu, e a PREVIC não fez nada.

Nós temos recorrido, temos feito novas representações, cobrando providências da PREVIC para que implante o teto.

Finalmente, mais uma fórmula de desviar recursos de aposentado e pensionista e dos fundos de pensão é a criação de bônus dentro da PREVI.

Ora, o Banco do Brasil, quando dá lucro, ele paga bônus aos seus
dirigentes, aos seus diretores, isso porque a Assembleia Geral de
Acionistas se reúne e decide que parte do lucro será destinada a pagar dividendos acionistas e parte do lucro será destinada a pagar bônus pelo bom trabalho de diretores.

Pois na PREVI adotaram o bônus, senhores.

A PREVI, por similaridade com o Banco do Brasil, chega à conclusão de que os seus diretores também têm direito de receber bônus, têm direito de receber o que eles chamam de remuneração variável, PLR, participação em lucros.

Como?

Se PREVI e todo fundo de pensão não dá lucro?

Fundo de pensão tem, no máximo, superávit.

Como podemos admitir, nós aposentados e pensionistas que somos os mariscos, que os recursos do fundo de pensão sejam destinados para pagar privilégios, benesses para diretores de fundo de pensão.

Então, todas essas informações que eu trago aqui estão bem detalhadas com os anexos. Eu deixo esta pasta com esta CPI. É preciso que os Srs. Deputados compreendam que o que nós sabemos, nós aposentados e pensionistas, vem do que a gente lê na grande imprensa e do pouco que escapa dos fundos de pensão, porque os fundos de pensão, geralmente, são caixas-pretas.

E nós não sabemos de nada do que acontece lá dentro.

Eles têm um código de ética que impede que um conselheiro venha dizer para os seus representados:

Olhem, nós votamos isso ou aquilo lá no deliberativo.

Nós não ficamos sabendo.

Sabemos apenas dos efeitos, quando interferem diretamente na nossa vida, quando colocam em risco a nossa velhice.

Eu estou à disposição dos senhores e agradeço a oportunidade.

Espero que os companheiros tenham ficado contemplados com a minha fala.

ISA MUSA DE NORONHA

(isamusa@uol.com.br)

___Isa

sábado, 25 de julho de 2020

ANABB em FOCO - 25.07.2020


Caros Companheiros,

Dando sequência aos últimos artigos publicados neste blog (ANABB em FOCO – de 10.07.2020 e ANABB em FOCO – de 22.07.2020), que reproduzem e comentam matérias  publicadas no site da ANABB -ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que abordam recente  operação de crédito de grande envergadura do BANCO DO BRASIL, que foi operacionalizada às pressas, sem as cautelas cabíveis para um negócio  desse porte, que se apresenta   mal explicada, sem o respaldo legal e técnico  de outros órgãos governamentais como o Tribunal de Contas da União, o Banco Central e a Controladoria Geral da União, que dão o respaldo legal e técnico para outras operações dessa envergadura e da mesma natureza, como a que ora está sendo colocada, e que podem trazer altos prejuízos  para o Banco do Brasil, com reflexos negativos  para os investidores em ações do BB na BOVESPA,  prejuízos para sua clientela tradicional, e comprometimento de seu papel vital  e especializado no crédito de operações  na agricultura, onde responde por 60% das operações em todo o Brasil e, fundamentalmente, pelo comprometimento do papel do BB como operador da política de crédito do Banco Central e do equilíbrio da taxa de juros.

Mais uma vez, parabenizamos a ANABB pela coragem de levantar a discussão desse assunto na mídia, no Parlamento, e junto à sociedade como um todo.

No que tange ao CONGRESSO NACIONAL, ressaltamos as iniciativas do DEPUTADO ÊNIO VERRI (PT/PR) e do DEPUTADO GLAUBER BRAGA (PSOL-RS), que já protocolaram requerimentos na CAMARA dos DEPUTADOS, inclusive convocando o Ministro da Economia, Sr. PAULO GUEDES, para explicar essa questão.

Os requerimentos dos ilustres parlamentares estão publicados no site da ANABB e nos artigos acima citados neste blog.

Mais uma vez, repito as palavras do Presidente da ANABB, REINALDO FUJIMOTO:

                                    


“Ao encaminhar este pedido, o que nos move é tão somente a preocupação legítima em preservar os ganhos do Banco do Brasil, bem como retorno adequado em todas as suas operações.”

São 04.30h da manhã e ainda não conclui esta nota, mas, à tarde, já havia tomado conhecimento do pedido de renúncia do Sr. RUBEM NOVAES, 

                                   


da presidência do BANCO DO BRASIL.

Elogio o Sr. RUBEM NOVAES, que sai do BB de cabeça erguida e com íntegra e elogiosa  atuação profissional  (lamentável o papel do ex-presidente BENDINE).

Apesar de sua formação liberal - é professor universitário com doutorado pela Universidade de Chicago, notória pela defesa do liberalismo - evidente que RUBEM NOVAES se sentiu incomodado com o que acontecia ao seu redor e na sua área e, com a sapiência e experiência de macaco velho, não meteu a mão na cumbuca.

Parabéns por sua dignidade e altivez.

Boa leitura e felicidades para todos.

ADAÍ  ROSEMBAK

Associado da AAFBB e ANABB


ARTIGO NO SITE DA ANABB

“BANCO DO BRASIL E A ESPERANÇA DO CRÉDITO PARA A ECONOMIA".

Esse é o título do artigo assinado pelo presidente da ANABB, REINALDO FUJIMOTO,  e que foi publicado no site CONGRESSO em FOCO, em 23 de julho corrente.

No texto, REINALDO FUJIMOTO reflete sobre o gargalo do crédito na economia, o papel dos bancos públicos e, sobretudo, a atuação social e propulsora para o desenvolvimento e economia do País realizada pelo BANCO DO BRASIL.

Leia a íntegra do artigo:

BANCO DO BRASIL E A ESPERANÇA DO CRÉDITO PARA A ECONOMIA​

REINALDO FUJIMOTO – Presidente da ANABB

O País ouve, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a constatação de que 522 mil empresas fecharam durante a pandemia.
A pesquisa “Pulso Empresa: Impacto da covid-19 nas empresas”, do IBGE, mostrou ainda que apenas 13% tiveram acesso aos recursos da União para enfrentar os efeitos adversos do Corona vírus.
Os desafios são gigantescos: o crédito precisa irrigar a economia e alcançar quem mais precisa, sobretudo os microempreendedores.
Nesta hora de urgência, onde o gargalo do crédito asfixia ainda mais a economia, projeta-se o papel efetivo dos bancos públicos.
Mesmo totalmente alijado de políticas públicas, o BANCO DO BRASIL tem sido, até aqui, uma das instituições que mais emprestou recursos dentro do PRONAMPE, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.
A lógica do GOVERNO FEDERAL – em relação ao BANCO DO BRASIL – foi passar uma mensagem ao mercado de que não haveria mais influência do Estado sobre o papel do BB e, portanto, toda sua dimensão pública seria encolhida.
De fato, isto ocorreu. E no pior momento.
Não se trata de defender o papel social do BANCO DO BRASIL como uma alternativa que passa ao largo do retorno aos acionistas e da manutenção dos índices de rentabilidade de uma empresa de dupla natureza.
Desde as décadas de 80/90, o BB vem, sucessivamente, atuando dentro de um modelo no qual, de um lado, o TESOURO NACIONAL é o controlador e demanda eficiência operacional.
 De outro, investidores privados confiam na entrega de resultados da empresa.
Ao ler o noticiário, fica evidente o quanto o cenário futuro vai exigir esforços do Estado.
Sob a perspectiva de um cenário complexo, para emprego, renda e sobrevivência dos negócios, é preciso romper o dogmatismo e a visão estreita.
Não é excludente ser um banco competitivo e rentável e contribuir para a gestão pública em momentos onde o Estado precisa fazer mais e melhor.
Os representantes do povo no CONGRESSO NACIONAL, transformado em contraponto relevante ao radicalismo liberal da equipe econômica, sabem que o BB tem papel vital para a economia do País, inclusive em pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto DataPoder360.
A maioria dos parlamentares (67%) é contra a privatização do  BANCO DO BRASIL, 84% consideram o BB eficiente, 77% responderam que é relevante para a economia brasileira, e 74% opinaram que é estratégico para o País.
Os funcionários do BANCO do BRASIL estão a postos e conhecem o BRASIL real.
Há esperança para o crédito.
Fonte: Agência ANABB


terça-feira, 21 de julho de 2020

ANABB em FOCO - 22.07.2020


Caros  Companheiros,

Dando seguimento ao artigo de 10.07.2020, neste blog, “ANABB em FOCO – 10.07.2020”, transcrevemos adiante o artigo  BB e BTG PACTUAL: Associados e Deputados querem esclarecimentos sobre negociação”,  publicado no site da ANABB, em 20.07.2020, às 16.01h.

A ANABB também já havia solicitado   esclarecimentos sobre esse assunto ao BB por meio do ofício ANABB/PRESI, 077/2020, de 02 de julho de 2020 (vide cópia do documento no artigo “ANABB em FOCO – 10.07.2020, neste blog).

É importante que estejamos atentos e sejamos atuantes e ágeis sobre essa matéria que nos parece estranha, nebulosa, repentina e desprovida de cautelas e garantias  necessárias que norteiam   a boa aplicação e rentabilidade dos capitais do BB, com reflexos  sobre a PREVI, a CASSI, e a confiança de toda a clientela do BB.

Repito as palavras do Presidente da ANABB, REINALDO FUJIMOTO:



“Ao encaminhar este pedido o que nos move é tão somente a preocupação legítima em preservar os ganhos do Banco do Brasil, bem como retorno adequado em todas as suas operações.”

Aproveito o ensejo para parabenizar a ANABB que tem tomado a dianteira para colocar esse assunto às claras e de forma detalhada, ao pleno conhecimento da mídia, da classe política e de toda a sociedade.

Repito mais uma vez o adágio judaico que reza:

“QUEM POR TI, SENÃO TU?”

Atenciosamente

ADAÍ  ROSEMBAK
Associado da AAFBB e ANABB


ANABB
BB e BTG PACTUAL: associados e deputados querem esclarecimentos sobre a a negociação.
Em 20.07.2020 às 16:01h.Compartilhe: 

A negociação de uma carteira de crédito entre o BB e o Banco BTG PACTUAL continua gerando repercussão.

E não é apenas a ANABB que tem buscado esclarecimentos sobre o ineditismo da operação.

Associados da ANABB e parlamentares querem mais explicações sobre a cessão de uma carteira de crédito com valor contábil de R$ 2,9 bilhões para um fundo de direitos creditórios administrado pelo BTG Pactual, com impacto financeiro de R$ 371 milhões ao BB.

Na última quinta-feira, 16 de julho, o associado e funcionário aposentado do BB, PAULO ROBERTO TOURINHO, de Niterói (RJ), encaminhou uma carta que foi divulgada pelo jornal O GLOBO pedindo explicações sobre a transação realizada pelas duas instituições financeiras:

É preciso explicar.

O Sr. RUBEM NOVAES, presidente do BANCO DO BRASIL, e o ministro da Economia, PAULO GUEDES, precisam explicar por que o BANCO DO BRASIL cedeu carteira de crédito no valor de R$ 2,9 bilhões ao Banco BTG PACTUAL, sendo a primeira vez na sua história que ocorreu venda para instituição privada fora de seu conglomerado.

A operação levanta suspeita tendo em vista que o citado banco foi criado por PAULO GUEDES, que sempre diz que devemos vender essa "porcaria" do BANCO DO BRASIL.

Este blogueiro permite-se acrescentar que o Ilustríssimo Senhor Ministro da Economia PAULO GUEDES usou a palavra “PORRA” para qualificar o nosso querido BANCO DO BRASIL em reunião ministerial de 24.04.2020. (vide artigo “QUO VADIS BRASIL?”, de 25.05.2020, neste blog).

O assunto que preocupou o associado PAULO ROBERTO TOURINHO foi tema de pedido de informações da ANABB ao BB.

Conforme já divulgado, no dia 2 de julho, a ANABB solicitou esclarecimentos sobre a natureza da operação ao Vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BANCO DO BRASIL, CARLOS HAMILTON VASCONCELOS ARAÚJO.

MOBILIZAÇÃO ENTRE DEPUTADOS

No legislativo, dois deputados protocolaram requerimentos na CÂMARA DOS DEPUTADOS  para que o BANCO DO BRASIL e o MINISTÉRIO DA ECONOMIA  prestem esclarecimentos sobre a cessão da carteira de crédito do BB ao BTG PACTUAL.

O ofício da ANABB encaminhado ao BB foi citado pelo deputado ENIO VERRI  (PT/PR) no requerimento de informações protocolado pelo parlamentar, que questionou a transação durante discurso no plenário virtual e requereu ao MINISTRO DA ECONOMIA, PAULO GUEDES, que é um dos fundadores do BTG PACTUAL, sobre a operação a fim de se atestar “a regularidade de sua ocorrência, a observância de requisitos de boa governança e, principalmente, o atendimento ao interesse coletivo, princípio basilar a conduzir operações realizadas por sociedades de economia mista”, diz no documento.

O outro requerimento foi feito pelo deputado GLAUBER BRAGA (PSOL/RJ) que também protocolou um convite ao presidente do BB, RUBEM NOVAES, a comparecer à CÂMARA DOS DEPUTADOS para responder perguntas sobre o assunto.

POSICIONAMENTO DA ANABB

Por ser tratar de uma ação inédita e pela falta de divulgação de qualquer processo de concorrência e de securitização, a ANABB encaminhou ao BB, uma série de questionamentos sobre a cessão da carteira de créditos a uma instituição privada, um dia após o banco divulgar ao mercado a negociação.

A ANABB continua aguardando respostas dos questionamentos encaminhados ao vice-presidente do BB, CARLOS HAMILTON VASCONCELOS ARAÚJO.
Veja os Questionamentos solicitados pela ANABB:

1. Existe algum impedimento legal-jurídico para que a operação não tenha transitado pela ATIVOS S.A?

2. O processo assegurou ampla concorrência e de que modo?

3. O leilão, como modalidade para que o BB possa ceder parte de seus ativos sem questionamentos sob direcionamentos, não seria o caminho mais adequado?

4. A negociação teve aval formalizado pelo TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, BANCO CENTRAL e CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO?

5. Qual composição e características da carteira negociada?

6. O comunicado informa, ainda, que a operação faz parte de um projeto piloto para dinamizar a gestão de crédito. Quais características principais, justificativas e objetivos deste novo projeto?


REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO Nº RIC 808/ 2020 , do Deputado Senhor ENIO VERRI (PT/PR).

Solicita informações ao Sr. Ministro da Economia a respeito da operação realizada pelo Banco do Brasil em favor de fundo administrado pelo BTG PACTUAL Serviços Financeiros S.A. DTVM.

Senhor Presidente:
Requeiro a Vossa Excelência, com base no art. 50 da CONSTITUIÇÃO FEDERAL, combinado com os artigos 115 e 116 do Regimento Interno, sejam solicitadas informações ao Senhor Ministro de Estado da Economia, Sr. PAULO GUEDES, a respeito da cessão de carteira de créditos no valor contábil de R$2,9 bilhões realizada pelo BANCO DO BRASIL S.A. a Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não-Padronizado e Exclusivo (FIDCNP), administrado pelo BTG PACTUAL Serviços Financeiros S.A. DTVM, com impacto financeiro no montante de R$371 milhões.

JUSTIFICAÇÃO: Em comunicado ao mercado datado de 1º de julho de 2020, o BANCO DO BRASIL S.A. (BB) informou a realização, naquela mesma data, de cessão de carteira de créditos no valor contábil de R$2,9 bilhões a Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não-Padronizado e Exclusivo (FIDCNP) administrado pelo BTG PACTUAL Serviços Financeiros S.A. DTVM.

O impacto financeiro da transação, conforme o mesmo comunicado, foi de R$371 milhões, contabilizados no resultado do terceiro trimestre de 2020.

É a primeira vez que o Banco do Brasil realiza uma operação de cessão de ativos cujo cessionário não faz parte de seu conglomerado e, ainda de acordo com os termos do comunicado ao mercado, “esta operação é o piloto de um modelo de negócios recorrente que o Banco está desenvolvendo para dinamizar, ainda mais, a gestão do portfólio de crédito”.

Dado o ineditismo da operação, o vultoso montante envolvido e as limitadas informações disponibilizadas no comunicado ao mercado feito pelo Banco, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), em nome dos quase 90 mil associados do BB, encaminhou ofício *CD206388407800* Documento eletrônico assinado por ENIO VERRI (PT/PR), através do ponto SDR_56449, na forma do art. 102, § 1º, do RICD c/c o art. 2º, do Ato da Mesa n. 80 de 2016.

Apresentação: 15/07/2020 16:47 - Mesa RIC n.808/2020 ao Vice-Presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco solicitando informações com vistas a esclarecer a natureza da operação.

No mesmo sentido, o presente requerimento visa a obtenção dos dados, análises e maiores detalhamentos pertinentes à cessão realizada a fim de que se possa aferir a regularidade de sua ocorrência, a observância de requisitos de boa governança e, principalmente, o atendimento ao interesse coletivo, princípio basilar a conduzir operações realizadas por sociedades de economia mista.

Apresentam-se, assim, os seguintes questionamentos a serem respondidos pelo Senhor Ministro de Estado da Economia:

1. Qual a composição detalhada (incluindo valores, emissor, data de emissão e de vencimento, notação, etc) e características da carteira de ativos cedida ao BTG PACTUAL?

2. Qual o valor original da carteira? Qual valor das provisões referentes à carteira cedida constituídas em 31/12/19 e 30/06/20?

3. Como foi definido o valor da operação? Foi realizada avaliação independente a fim de aferir o valor da carteira de ativos cedida?

Caso afirmativo, qual foi o valor da carteira calculado pelo avaliador?

Quem foi o avaliador?

Qual foi o valor pago pelo serviço de avaliação?
Foi feito um laudo pelo avaliador independente indicando metodologia e processo usados na avaliação?

4. Quais motivos justificam a opção pela cessão da carteira fora do conglomerado do Banco do Brasil?

Qual o desempenho do BB na recuperação deste tipo de crédito comparado ao desempenho do Pactual?

5. O processo de cessão da carteira assegurou ampla concorrência?

De que modo?

6. A carteira foi oferecida a outros potenciais interessados?

Se não, por quê?

Se sim, a quais?

Foram recebidas outras propostas?

Se sim, de quem?

O que motivou sua rejeição?

7. A negociação teve aval formalizado pelo Tribunal de Contas da União, Banco Central e Controladoria-Geral da União?

8. Em relação ao projeto piloto ao qual faz menção o comunicado ao mercado, quais são os objetivos e características desse projeto e em que fase de implantação ele se encontra?

Quais são os valores e datas previstos para as próximas operações deste tipo?

 9. Qual é o novo modelo de negócios que o Banco está desenvolvendo para dinamizar, ainda mais, a gestão do portfólio de crédito?

10. A operação de cessão da carteira tem relação com a política de desinvestimento pretendida pelo governo?

De que forma se relacionam? 

*CD206388407800* Documento eletrônico assinado por (ENIO VERRI PT/PR), através do ponto SDR_56449, na forma do art. 102, § 1º, do RICD c/c o art. 2º, do Ato da Mesa n. 80 de 2016.
Apresentação: 15/07/2020 16:47 - Mesa RIC n.808/2020 Sala das sessões, 15 de julho de 2020. Deputado ENIO VERRI – PT/PR Líder do PT na Câmara dos Deputados *CD206388407800* Documento eletrônico assinado por ENIO VERRI (PT/PR).