terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Comentário de um companheiro sobre a exploração do xisto

Pela relevância do assunto abordado, transcrevo o comentário do Companheiro Júlio César Alt e a resposta deste blogueiro em relação ao assunto Extração de Gás e Petróleo do Xisto.

Prezado Adai,

Existem ainda muita polêmica em torno dessa matriz energética. Veja na mensagem abaixo alguns aspectos negativos a resistência que poderá haver caso o seu uso seja implementado. (Fonte - Exame.com -  de 27/11/2013)
Abr.,
Julo Alt
A extração do gás de xisto tem sido questionada pelos riscos e danos que pode gerar ao meio ambiente, principalmente à poluição de lençóis freáticos , e ao uso de grande quantidade de água na técnica de exploração chamada de faturação hidráulica (do inglês, "hydraulic fracturing", ou simplesmente “fracking”).
Na esteira do desenvolvimento dessa indústria, que além dos EUA, já ganhou escala comercial no Canadá, cresce o número de estudos que relacionam o método de fraturação a graves problemas ambientais. Conheça a seguir os principais riscos já identificados.
Contaminação da água
A técnica de extração do gás não convencional consiste na injeção de toneladas de água misturadas a produtos químicos e areia para gerar fraturas na rocha. Toda a água usada no processo de extração retorna à superfície, poluída por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha e pelos próprios aditivos químicos.
Além do risco de contaminação de áreas vizinhas, o processo pode permitir que os gases acumulados nas rochas atinjam aquíferos. Um estudo feito por cientistas da Universidade Duke, da Carolina do Norte, encontrou níveis elevados de metano e etano em mais de 100 poços privados que abastecem as casas situadas na bacia de gás de xisto de Marcellus, no nordeste da Pensilvânia e no sul do estado de Nova York.
As concentrações de metano na água potável das residências situadas a menos de um quilômetro dos locais de perfuração eram, em média, seis vezes maiores às da água das casas que estavam mais distantes, enquanto as concentrações de etano eram 23 vezes superiores.
Tremores de terra
Estudos recentes também relacionam a injeção de água residual no subsolo ao aumento da ocorrência de tremores no país. Um deles, realizado pelo Serviço Geológico dos EUA (USGS ) indica que o número de terremotos aumentou dramaticamente ao longo dos últimos anos, na região central e leste do país.
Mais de 300 terremotos acima de magnitude 3,0 ocorreram a cada três anos entre 2010-2012, em comparação com uma taxa média de 21 eventos por ano, observadas entre 1967 e 2000. Os cientistas da USGS descobriram que em alguns locais o aumento da atividade sísmica coincide com a injeção de efluentes em poços de descarte.
Um segundo estudo, feito pelo Earth Observatory da Universidade de Columbia, em Nova York, indica que pelo menos metade dos terremotos de magnitude superior a 4,5 que atingiram o interior Estados Unidos na última década ocorreram perto dos locais de injeção de fluídos.
A suspeita é de que o aumento da atividade em poços de gás natural alterou tensões em áreas suscetíveis a terremotos, aumentando a pressão de poros fluidos nas rochas subterrâneas, lubrificando falhas pré-existentes e deixando-as mais propensas à ruptura.
Mortandade animal
Os fluidos poluídos do fraturamento hidráulico são apontados como a causa da morte de espécies aquáticas em rios de Kentucky próximos à áreas de exploração onde foram verificados vazamentos.
Estudo realizado pelo USGS e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem Americano (Fish and Wildlife Service) mostra que os fluidos liberados no ambiente degradaram a qualidade da água ao ponto de causar lesões nas guelras dos peixes e no fígado e baço.
Emissão fugitiva de metano
Apesar de poluir menos que o carvão, a extração de gás de xisto pode emitir na atmosfera, de maneira fugitiva, volumes nada desprezíveis de metano, um gás efeito estufa 20 vezes mais potente que o CO2.
Embora os Estados Unidos tenham visto suas emissões globais de gases efeito estufa declinarem com a expansão dessa fonte na matriz energética, em cidades onde ocorrem operações de fracking, tem se verificado um aumento das emissões de metano.
Vazamentos na exploração de petróleo e gás, na produção e no processo de distribuição são suspeitos de ser uma das principais fontes de emissão desse gás.
Incertezas no Brasil
O leilão que ocorre nesta quinta-feira se desenrola num contexto nada convencional. A busca pelo gás de xisto no território brasileiro vai ser inaugurada sem que existam ainda uma legislação ou marco regulatório claro sobre como as explorações devem ocorrer.
Além disso, o país ainda carece de estudos aprofundados sobre os riscos socioambientais da extração de gás não convencional.



    Resposta deste blogueiro

    Júlio Cesar Alt,

    Como toda fonte de energia, a exploração do xisto tem riscos sérios.
    A exploração do xisto já foi proibida em alguns lugares nos USA por risco de contaminação de lençóis freáticos.
    Um dos maiores esforços dos centros de pesquisa e universidades nos USA  tem sido justamente o de evitar esse tipo de problema.
    Mas existem áreas praticamente desérticas nos USA em que a exploração do xisto tem crescido muito.
    O mesmo acontece no Brasil com depósitos de xisto no Maranhão onde a exploração do xisto não oferece grandes ameaças ao meio ambiente e nem a lençóis de água. Resta saber como levar a água para explorar o xisto no interior daquele estado.
    Isso já é matéria para especialistas do ramo.
    No Brasil temos artigos muito bons sobre o tema. Tem o site da SBPC. da Globo.Com , da CGN, da Outra Política, da Exame.com, da Veja.com e por aí vai.
    É preciso observar que em todas as áreas existem blogueiros e articulistas que são absolutamente do contra e os que são totalmente a favor.
    Cada grupo tem seus interesses específicos e, para afirmarem suas ideias, forjam estatísticas, deturpam informações, inventam problemas e apelam para todo tipo de desinformação possível.
    A exploração do xisto é um tema que não foge a essa regra,
    Existem grupos empresariais que só olham o rendimento de seus empreendimentos e existem os ambientalistas ortodoxos radicais que lutam pelo retorno à natureza na sua forma original.
    Para esses terem suas teses plenamente atendidas , teríamos de voltar à idade da pedra.
    Nessa matéria,  também temos de considerar o risco de exploração de outras fontes de energia.
    A energia nuclear, por exemplo. A Alemanha proibiu usinas nucleares em seu território.
    Já a França tem grande parte de sua energia baseada em usinas nucleares.
    A usina de Chernobyl na Ucrânia foi um dos maiores desastres ambientais pelos quais o mundo já passou. Nos USA, também já houve vazamento em usinas nucleares.
    Quando foram jogadas as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, alguns cientistas na época previram que a vida não se restauraria naquela área.
    Logo se tornaram  duas cidades prósperas.
    A mesma coisa com as explosões nucleares americanas no Atol de Bikini e francesas no Atol de Mururoa, no Pacífico.
    A natureza também se refez por lá.
    Agora mesmo no Japão, com os efeitos de uma tsunami, uma usina nuclear contaminou vastas áreas.
    A energia elétrica extraída de represas também já causou desastres seríssimos.
    Represas já se romperam e causaram grandes desastres.
    A construção da usina de Belo Monte é acusada também de desequilibrar o meio ambiente e invadir reservas indígenas.
    E a exploração de petróleo?
    Talvez nenhuma outra área tenha causado tantos desastres ambientais.
    O desastre com o petroleiro Exxon Valdez, em 24.03.1989, inundou 40 milhões de m2 do oceano com petróleo crú como também 2.000 km da costa do Alasca, matando centenas de milhares de aves marinhas, focas, lontras e outros animais, causando o maior desastre ambiental daquela região.
    No Golfo do México, o rompimento da plataforma Deepwater Horizon, da Transocean e operada pela britânica BP-British Petroleum , causou o maior desastre ambiental daquela área. O petróleo cobriu grande parte das praias da Flórida.
    Depois que a plataforma foi consertada, a natureza recompõs o meio ambiente em 6 meses.
    De modo que problemas ambientais sempre existiram e sempre existirão na exploração de energia em qualquer área.
    É fundamental  tomar as cautelas necessárias para evitar esses problemas pois a humanidade continua a precisar cada vez mais de energia.
    Muita coisa vem sendo descoberta na exploração do xisto até porque é a  fonte mais nova de exploração de gás e petróleo.
    Vários elementos químicos já foram substituídos. Em diversas áreas foi proibida a exploração para evitar contaminação de aquíferos.
    As técnicas de fraturamento hidráulico (fracking) evoluíram muito.  As pesquisas continuam a avançar cada vez mais.
    Passei alguns dias pesquisando sites no Brasil e ao redor do mundo sobre esse tema. É um universo de discussões e ideias. O número de universidades, empresas e centros de pesquisas que abordam esse assunto é impressionante.
    É, de fato, um caminho sem volta.
    Os USA, que sofriam com as ameaças de corte de suprimento de petróleo, hoje estão cada vez mais autosuficientes - ainda não de todo - e estão revertendo a posição política da OPEP , diminuindo o custo da energia e fortalecendo a evolução da indústria e da agricultura.
    Em pouco tempo esse progresso se espraiará ao redor do mundo. 
    Mas os alertas, como o seu, são absolutamente indispensáveis para evitar desastres ambientais e a contaminação do meio ambiente.

    Um abração

    Adaí   Rosembak
    Associado da AAFBB, ANABB, AFABB-RS e ANAPLAB

2 comentários:

  1. É bom que esse assunto seja bem debatido.
    São tantas coisas acontecendo em função disso: crises na Venezuela e Rússia, inviabilidade do pré-sal, corrupção na Petrobrás, OPEP entregando os pontos, crescimento dos Estados Unidos, união de Rússia e China e por aí vai.
    Muita coisa séria acontecendo ao mesmo tempo.
    Aprofundem essas discussões.

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    Respostas
    1. Caro Anônimo,

      Esse processo tende a se acelerar cada vez mais.
      Dia a dia as cotações estão baixando.
      Isso vai ter reflexos seríssimos na política mundial.
      É esperar para ver.

      Um abraço

      Adaí Rosembak

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