Desde a aprovação do
relatório de 14.04.2016, da CPI dos Fundos de Pensão, elaborado pelo Deputado
Sérgio Souza (PMDB-PR), muitos beneficiários dos fundos de pensão se
perguntavam quais seriam os resultados efetivos daquela CPI.
É necessário esclarecer
que a CPI teve resultados reais sim. A CPI pediu ao Ministério Público o
esclarecimento sobre 353 suspeitas de crimes e infrações administrativas entre
pessoas e empresas. Entre esses pedidos, 146 eram de indiciamento de pessoas
suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção nos fundos de pensão FUNCEF,
PETROS, POSTALIS e PREVI que, justamente, são os alvos da Operação Greenfield,
desencadeada em 05.09.2016.
Registramos que, no
relatório da CPI dos fundos de pensão, a PREVI é reconhecida pela boa
governança e pela qualidade do corpo técnico da PREVI. Também não houve
qualquer imputação a gestores da PREVI, entre as mais de 140 pessoas
denunciadas pela comissão.
Pelo que a mídia está
noticiando sobre a Operação Greenfield apuramos que, o único registro sobre a
PREVI, foi a participação no Fundo de Investimento em Participação Sondas (FIP
SONDAS), que tem um total de 14 cotistas, entre os quais, também estão a
FUNCEF, PETROS, Santander, BTG Pactual, Bradesco, FI-FGTS e Petrobrás.
Lamentamos que, talvez
pelo tempo decorrido e pelas suas peculiaridades específicas, o escândalo do
AERUS, que penalizou seus beneficiários, não tenha sido incluído nesse rol. Esse
caso foi muito bem retratado no excelente livro “Os abutres e a VARIG”, do
ex-piloto da VARIG, Armando Levy.
Mas temos a esperança
de que tudo virá à tona em tempo apropriado. Até agora, no que tange à VARIG, os
responsáveis pelas falcatruas e desvios não foram alcançados pelas
investigações, não foram punidos e escaparam ilesos. De outro lado, milhares de
honestos e dedicados funcionários da VARIG, foram as vítimas diretas dos
resultados nefastos desse escândalo. O fundo de pensão AERUS, que amparava os
aposentados da VARIG e de outras companhias aéreas menores, foi sumariamente
liquidado. Muitos dos pensionistas,
idosos em sua maioria, faleceram em razão da depressão e da miséria que atingiram
suas vidas e a de suas famílias.
O POSTALIS é outro fundo
que está em situação deplorável.
Os beneficiários e
pensionistas do POSTALIS vão ter de arcar com até 25,98% de seus contracheques
para a cobertura de um déficit que, até novembro de 2015, era de 5,7 bilhões de
reais. A situação de degradação chegou a tal ponto, que o Presidente do Postalis à época,
André Motta, acionou o Conselho Deliberativo do Postalis , e conseguiu aprovar
a demissão do auditor-chefe do fundo de pensão dos Correios, Silvio Gulias, que
denunciou irregularidades no fundo.
A respeito do POSTALIS,
recomendamos a leitura, da denúncia implacável, realista e chocante da situação
daquele fundo, mediante “link” na Parte
V – Palestra de Luiz Alberto Menezes Barreto, Presidente da ADCAP- Associação
dos Profissionais dos Correios, no artigo “AAPBB em FOCO”, de 16.04.2016, neste
blog. Ali, Luiz Alberto Menezes Barreto expõe, escancaradamente, todas as
nuances e amplitude do esquema criminoso do qual o POSTALIS foi vítima.
Muitos pensionistas dos
fundos abrangidos pela Operação Greenfield, sentem-se inseguros e amedrontados
pelos resultados que possam advir das investigações ora em curso.
Pensamos que, pelo
contrário, deveriam estar satisfeitos com essa operação.
Receosos deveríamos
estar se essas chagas não viessem à baila, nenhuma investigação fosse feita, e
tudo permanecesse soterrado no subterrâneo da ilegalidade e da impunidade.
Tudo deve funcionar
abertamente e às claras.
Nada pode permanecer
escondido ou pode ser tergiversado.
Lembro-me de que, ao
conversar com um amigo americano, sobre escândalos em fundos de pensão e na
Bolsa de Valores no Brasil, ele me disse que não era louco de aplicar seu
dinheiro nessas áreas aqui no Brasil.
De fato, agora estamos
vendo que os investidores em ações da Petrobrás e fundos de investimentos dessa
empresa no Brasil, como é o caso deste iludido articulista, não têm qualquer
proteção ou segurança por parte da Justiça, do Governo ou da BOVESPA, como têm os investidores americanos
que aplicaram seus capitais em ADRs da Petrobrás, na NYSE (New York Stock
Exchange).
Nos Estados Unidos, um
Nagi Nahas da vida estaria mofando na cadeia. No Brasil, depois de quebrar
impunemente a Bolsa de Valores nos anos 80, tempos depois, Nagi Nahas foi ser
assessor do Presidente Lula em negociações com países árabes.
Eike Batista, depois da
quebradeira em seus projetos fantasiosos e dos prejuízos planejados que causou a aplicadores
nas ações de suas empresas de fachada, que faziam parte do chamado “Império X”, na BOVESPA,
volta a gargalhar e se vangloriar de novos negócios que está promovendo no
Brasil. É recomendável que os investidores na Bolsa de Valores mantenham os
olhos abertos para não caírem em novas arapucas dessa figura megalomaníaca.
É por todo esse
histórico de desvios e irregularidades que prometi a mim mesmo nunca mais
investir em ações no Brasil.
Cremos que a oportuna
Operação Greenfield apareceu no tempo certo para purgar e trazer ordem e
seriedade para a área dos fundos de pensão, que é a grande mola impulsora do
capitalismo na atualidade, e é o principal instrumento de apoio dos
trabalhadores e de suas famílias em suas aposentadorias.
Por tudo isso,
aplaudimos entusiasticamente a Operação Greenfield, e temos a esperança de que
sua atuação seja profunda, vigorosa e permanente.
Essa é uma operação de
imensa envergadura cujos efeitos disciplinadores se estenderão a diversas
outras áreas e beneficiarão a todos os brasileiros, independentemente de suas
opções ideológicas, políticas, e da categoria ou classe a que pertençam.
É por iniciativas como
essa, que haverá o saneamento e aprimoramento das instituições brasileiras, e é
por aí que o Brasil será reerguido e seremos um país próspero com um povo
educado, sadio e feliz.
ADAÍ ROSEMBAK
Associado da AAFBB,
ANABB, AFABB-RS e ANAPLAB
Adiante reproduzimos o
excelente artigo “A ponta do iceberg”, sobre a Operação Greenfield, da
jornalista Míriam Leitão, publicado no jornal O Globo, desta data, na seção
Economia, à página 20.
A PONTA DO ICEBERG
06/09/2016 09:00
Há muitas formas de se
desviar dinheiro de um fundo de pensão, por isso a lista dos suspeitos é
grande. A operação Greenfield conseguiu mapear dez casos em que houve o mesmo
padrão de irregularidade. Há outros casos sendo investigados. Esse pode ser o
começo de um longo processo de limpeza dos fundos de pensão, que precisavam, há
muito tempo, de um esforço para estancar a sangria.
A operação que cumpriu
ontem ordens de prisão, condução coercitiva, busca e apreensão contra 40 alvos
começou a ser montada há dois anos diante de denúncias recebidas. No começo,
eram genéricas. Depois, chegaram denúncias mais concretas, feitas por
participantes dos fundos, que explicavam a complexidade de certas operações.
Na CPI dos Fundos de
Pensão, houve um grande avanço porque conseguiu-se montar um grupo de
profissionais de várias áreas — Previc, Polícia Federal, CVM, Banco Central,
TCU — que passou a assessorar as investigações. A PF agora está trabalhando num
grupo multi-institucional, como foi na CPI. Um padrão de desvio foi
identificado nos Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), criados para
um específico investimento. Eles é que estão nos casos investigados na operação
de ontem.
O deputado Efraim
Moraes Filho (DEM-PB), que foi presidente da CPI, considera que esses
escândalos têm uma face ainda mais cruel, porque criam rombos que depois são
cobertos pelos trabalhadores e, pior, pelos aposentados.
— A Postalis já está
descontando 17% dos aposentados; a Funcef já desconta 4%; e a Petros começará
no ano que vem a descontar para cobrir o rombo — disse o deputado.
A regra é que os fundos
de pensão não podem deter mais do que 25% desses FIPs, mas o truque das
empresas era superavaliar os ativos que aportavam nos FIPs, de tal forma que o
fundo de pensão aplicava mais do que deveria, corria mais risco do que podia, e
o tempo de retorno do investimento passava a ser muito maior. Ou seja, os 25%
valiam mais do que o percentual indicava, porque os 75% eram de ativos cujo
valor era exagerado. Em vários casos, essas operações foram feitas com uma
rapidez que desrespeitava as regras dos fundos.
Os FIPs são uma forma
de desviar dinheiro de fundos de pensão. Há várias outras. Como se justifica a
compra de títulos da dívida da Argentina, no meio do calote, e da dívida da
Venezuela, pela Postalis?
Nos últimos anos, o
governo se comportou como se os fundos de pensão fossem departamentos das
estatais. Eles foram convocados para aportar dinheiro em cada projeto duvidoso
que aparecia — como a Sete Brasil —, sustentavam projetos de empresas amigas,
eram usados como cabides de emprego para indicados políticos. Por isso não é de
se estranhar que sejam alvos alguns velhos conhecidos, como Leo Pinheiro e João
Vaccari Neto.
— A Sete Brasil tinha
um mês de vida, era apenas uma ideia, e recebeu aportes de R$ 3,3 bilhões de
três fundos: Funcef e Petros deram R$ 1,5 bi cada um, e a Previ deu outros R$
300 milhões. Não eram investimentos do interesse dos aposentados, mas sim uma
agenda do PT. Em Belo Monte, foi a mesma coisa — diz o deputado Efraim Moraes
Filho.
O caso do J&F tem a
ver com o FIP Floresta, que iniciou os investimentos da celulose Eldorado,
depois beneficiada com dinheiro do FI-FGTS, em caso denunciado pelo
ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, afilhado do deputado Eduardo Cunha. No
caso do FIP Enseada, encontra-se Eugênio Staub, que já quebrou a Gradiente, e
tentava por em pé outra empresa com a ajuda dos fundos. A Engevix também está
presente nesse escândalo através do FIP Cevix, que recebeu R$ 237 milhões da
Funcef.
— Isso é só a ponta do
iceberg, só o começo, porque os valores dos fundos são gigantescos. Eles
pegavam um papel sem valor, levavam ao fundo e, com tráfico de influência,
conseguiam aprovar. Uma agência de classificação pequena dava um bom rating, e
aí tirava-se dinheiro do fundo de pensão — disse o deputado Sérgio Souza
(PMDB-PR), relator da CPI dos Fundos de Pensão.
O rombo que terá que
ser coberto é de R$ 50 bilhões, e os desvios são de R$ 8 bilhões. Pelo que a
CPI levantou, e pelo que a PF já está investigando, este é apenas o começo de
uma limpeza que pode ser histórica.
MIRIAM LEITÃO
Jornalista do O Globo
Indagações que deveriam vir à baila nas investigações: Como agiu PREVIC? A sua principal atribuição é a fiscalização dos Fundos de Pensão, e não deveria, para tanto, promover, tempestivamente, intervenções e outros expedientes para coibir tais descalabros? Onera os Fundos de Pensão das Estatais com contribuições milionárias, a título de TAFIC, bem como, seus agentes são regiamente remunerados para quê? Questiono a razão de ser desse órgão, eis que, se pautá-lo pelo efetividade de suas atribuições, só posso considerá-lo inócuo.
ResponderExcluirCaro Anônimo,
ExcluirA sua pergunta foi muito pertinente.
Fui a um simpósio da AAPBB há algum tempo e tive a oportunidade de conversar com um dirigente da PREVIC que participou do evento.
A PREVIC tem um papel importante na elaboração de normas, regulação do sistema, etc.
O órgão tem um pessoal muito bem preparado.
Mas ela não tem poder de interferir na autonomia dos fundos de pensão que são instituições cujos dirigentes são eleitos pelos próprios beneficiários.
Eles estão tentando aperfeiçoar sistemas de controle muito avançados para detetar falhas e erros que possam agir preventivamente mas, por mais sofisticados que sejam esses sistemas, é muito complicado prever e antecipar problemas com antecipação.
É, como se diz na gíria, agir depois da "porta arrombada".
O que de fato me deixa esperançoso é que a Operação Lava-Jato, a PF, o MPF e mesmo a atuação do Congresso traga a elaboração de leis mais rígidas para punir os atos delituosos nessa área.
Sempre levanto o exemplo dos Estados Unidos. Quem comete esse tipo de crime lá vai para o xilindró.
Por isso, digo que tenho uma grande esperança na mudança do país com a atuação da Operação Lava-Jato.
Um abraço
Adaí Rosembak
Caro Anônimo,
ExcluirQuando lhe respondi estava saindo e redigi a resposta às pressas. Fui reler e notei uma série de falhas. Desculpe-me.
Adaí Rosembak
Sr. Adaí,
ResponderExcluirE nossas associações? Será que permanecerão convencidas com as explicações da Previ?
São denúncias feitas por vários anos e o pessoal se escorando nessa lorota de governança. Dependendo da disposição de cavar até o fundo, o nome pessoas perto de nós, sem a menor dúvida boiarão
Mas V. Sa. tem um coração bom e não concordará comigo
Cordialmente
Humberto
Caro Humberto,
ExcluirNão sou casca grossa mas isso não implica em dizer que tenho coração bom.
No meu entender as nossas associações não tem papel de polícia.
Não cabe às associações essa função.
Ademais, quais são as explicações da PREVI que as associações devem ser convencidas?
Ti-ti-ti e fofoca é o que tem mais.
Tenha a certeza que a PF,o MPF, as autoridades judiciárias e os demais órgãos oficiais envolvidos nessa operação darão conta do recado.
Fortes emoções estão por vir.
Nisso você pode estar certo.
Abração
Adaí Rosembak
No caso da Previ não é só o FIP SONDAS, não.
ResponderExcluirHá também o FIP GLOBAL EQUITY PROPERTIES e também a INVEPAR.
Veja no balanço o registro desse FIP. Já se dá por perdido.
Caro Anônimo,
ResponderExcluirVocê deve estar certo. Fiz somente a citação do FIP SONDAS, pois foi a principal aplicação que encontrei nos jornais que pesquisei.
Não me aprofundei mais sobre o assunto senão não seria um artigo mas sim um amplo relatório sobre essa operação.Com certeza, muitas outras irregularidades virão à tona.
De qualquer forma, em relação aos fundos de pensão investidores nas FIPs , pelo que li, a aplicação da PREVI foi a menor.A PETROS investiu R$ 5,8 bi, o POSTALIS R$ 1,3 bi e a PREVI, R$ 800 milhões.
Essas aplicações nas tais sondas de fato foram um fracasso.
O importante é que os investigadores estão mergulhando fundo nessa área.
E pelo visto essa operação GREENFIELD vem sendo arquitetada há muito tempo, vai ser muito demorada e vai se expandir muito.
Como se diz no chulo linguajar, muito barro ainda vai sair do ventilador.
Abração
Adaí Rosembak
Saudações cordiais a todos.
ResponderExcluirHÁ TEMPO!!
Caro Adaí, nosso "amigão", a Diretoria Executiva, como colegiado, mas, principalmente, a Diseg, por tudo isso relatado, deve repensar a sua constante posição, excessivamente, austera, nas operações com os participantes, uma das melhores rentabilidades da Previ. Jamais, jamais as operações com os participantes causariam tanto estrago. Participante gera renda, não dano. Assim, que tudo favoreça a uma flexibilização, a poucos dias da implantação do ES/2016. Há tempo! Que algo, mesmo que um mínimo, seja garantido/estudado, para atender à legião de excluídos do ES, angustiada e antecipadamente, sabedora da barreira da MC, embora, claro, esta seja necessária, mas, também, passível de negociação.
Grato por tudo, caro "amigão".
"Que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal."
Romanos 6,12
Caro Fernando Lamas,
ExcluirConcordo plenamente com você e, inclusive, já escrevi notas a esse respeito.
Todas as suas colocações estão certíssimas.
Vamos ver se, a reboque dessa Operação Greenfield, alguma mudança seja feita a esse respeito.
É duro sermos sacrificados dessa forma quando tantos recursos do BB saem pelo esgoto.
Abração
Adaí Rosembak
Lembro ao amigo que há o nome de um ex-presidente da PREVI intimado pela PF.
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